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Credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa, afirma Lula

Da tribuna em Nova York, presidente afirmou que organização vive pior fase desde 2003 e falha em frear conflitos que atingem civis sem armas.

Lula discursa na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nova York – Na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22) que a organização enfrenta o seu momento mais grave em mais de duas décadas. Ao discursar na sede das Nações Unidas, o chefe de Estado brasileiro declarou que o sentimento que o movia era o de indignação diante da incapacidade internacional de conter conflitos armados e proteger populações civis desarmadas.

“A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, afirmou Lula da tribuna. Segundo ele, a entidade vive a pior fase registrada desde 2003. Em tom duro, o presidente destacou o desamparo de quem sofre as consequências diretas das disputas bélicas no mundo: “A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”.

Esta foi a décima vez que Lula abriu os debates da Assembleia Geral, tradicionalmente inaugurada pelo representante do Brasil. Em seu pronunciamento, o presidente mirou diretamente a paralisia do órgão responsável pela paz internacional. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse. Ele lembrou que a diplomacia brasileira questiona esse formato desde as origens da organização: “Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”.

Antes de subir à tribuna, Lula esteve reunido com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O líder brasileiro falou logo no início dos trabalhos, antecedendo o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A agenda do presidente em solo norte-americano incluiu compromissos políticos na véspera. Na segunda-feira (21), Lula conversou com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador independente Bernie Sanders.

A delegação brasileira encerra a participação no evento ainda nesta terça-feira. O voo de retorno ao Brasil tem decolagem marcada para 13h50 no horário local de Nova York (14h50 em Brasília), com pouso previsto na capital federal às 23h40.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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