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Custo do ônibus em Foz sobe 16% e subsídio municipal dispara

Com arrecadação em queda e despesa em alta, prefeitura cobriu 57,6% dos custos de agosto; Câmara aprovou crédito extra de R$ 12,3 milhões.

Coletivo da frota municipal em itinerário de bairro; a prefeitura cobriu 57,6% da despesa operacional de agosto. Foto: Foztrans/Arquivo

Foz do Iguaçu, PR – O custo do transporte público de Foz do Iguaçu cresce em velocidade muito acima da quantidade de passageiros e transfere uma fatura cada vez maior para o orçamento municipal. Dados oficiais analisados pelo Observatório Social do Brasil – Foz do Iguaçu (OSB-FI) mostram que a sustentação da frota exige repasses recordes do erário para compensar a perda de receitas diretas das empresas operadoras.

Entre março e agosto deste ano, o volume de usuários nos ônibus avançou apenas 2,9% na comparação com igual período de 2025. No mesmo intervalo, a despesa total do serviço teve alta de 16,3%, enquanto o dinheiro recolhido com a cobrança direta caiu 2,4%.

Sem arrecadação suficiente nas catracas, a saída adotada pela gestão municipal foi ampliar os subsídios. O volume repassado pela prefeitura subiu 37,7% em um ano. Frente ao mesmo período de 2023, o salto chega a 97,9%, consolidando a dependência do sistema em relação aos cofres públicos.

O balanço de agosto de 2026 expõe o tamanho do rombo: a circulação dos veículos consumiu R$ 6,72 milhões, mas a receita com passagens, repasses estaduais e Estarfi (estacionamento regulamentado) somou R$ 2,85 milhões. Para garantir 618 mil quilômetros rodados e 1,17 milhão de viagens, a prefeitura transferiu R$ 3,87 milhões — arcando com 57,6% de todo o custo do mês.

O presidente da entidade de controle social, Haralan Mucelini, chama atenção para a necessidade de rever a modelagem antes da assinatura do próximo contrato:

“Desde o debate sobre a caducidade, estamos alertando sobre a necessidade de a cidade debater com profundidade o seu modelo de transporte coletivo, o que inclui a modelagem, o custo e a qualidade do serviço ofertado à nossa população. Essa advertência, inclusive, está sendo feita enquanto o município prepara a nova concorrência, que deverá instituir um contrato mais prolongado.”

Coordenador do levantamento, Mucelini explica que o encolhimento no número de pagantes sobrecarrega a estrutura financeira. Em agosto de 2026, quem pagou a tarifa respondeu por 42,7% dos embarques (500.218), enquanto 57,3% das viagens (672.224) foram viabilizadas por gratuidades e benefícios tarifários.

“No acumulado de março a agosto, a fatia de usuários pagantes vem encolhendo ano a ano: caiu de 59,6% em 2023 para 43,7% em 2026.”

O descompasso financeiro superou as previsões da Lei Orçamentária Anual (LOA 2026), que reservava R$ 32,4 milhões para subsídios ao longo do ano. Para fechar as contas, o Executivo enviou à Câmara de Vereadores um pedido suplementar de R$ 12,3 milhões.

A verba extra foi aprovada pelo Legislativo em regime de urgência nesta quarta-feira, 21, com dez votos favoráveis e três contrários, autorizando a complementação milionária para a operação.

O diagnóstico faz parte de uma série de relatórios do Observatório Social voltados ao acompanhamento das contas municipais. O material completo é divulgado no perfil @osbfozdoiguacu e compartilhado com veículos locais.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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