Foz do Iguaçu, PR – O custo do transporte público de Foz do Iguaçu cresce em velocidade muito acima da quantidade de passageiros e transfere uma fatura cada vez maior para o orçamento municipal. Dados oficiais analisados pelo Observatório Social do Brasil – Foz do Iguaçu (OSB-FI) mostram que a sustentação da frota exige repasses recordes do erário para compensar a perda de receitas diretas das empresas operadoras.
Entre março e agosto deste ano, o volume de usuários nos ônibus avançou apenas 2,9% na comparação com igual período de 2025. No mesmo intervalo, a despesa total do serviço teve alta de 16,3%, enquanto o dinheiro recolhido com a cobrança direta caiu 2,4%.
Sem arrecadação suficiente nas catracas, a saída adotada pela gestão municipal foi ampliar os subsídios. O volume repassado pela prefeitura subiu 37,7% em um ano. Frente ao mesmo período de 2023, o salto chega a 97,9%, consolidando a dependência do sistema em relação aos cofres públicos.
O balanço de agosto de 2026 expõe o tamanho do rombo: a circulação dos veículos consumiu R$ 6,72 milhões, mas a receita com passagens, repasses estaduais e Estarfi (estacionamento regulamentado) somou R$ 2,85 milhões. Para garantir 618 mil quilômetros rodados e 1,17 milhão de viagens, a prefeitura transferiu R$ 3,87 milhões — arcando com 57,6% de todo o custo do mês.
O presidente da entidade de controle social, Haralan Mucelini, chama atenção para a necessidade de rever a modelagem antes da assinatura do próximo contrato:
“Desde o debate sobre a caducidade, estamos alertando sobre a necessidade de a cidade debater com profundidade o seu modelo de transporte coletivo, o que inclui a modelagem, o custo e a qualidade do serviço ofertado à nossa população. Essa advertência, inclusive, está sendo feita enquanto o município prepara a nova concorrência, que deverá instituir um contrato mais prolongado.”
Coordenador do levantamento, Mucelini explica que o encolhimento no número de pagantes sobrecarrega a estrutura financeira. Em agosto de 2026, quem pagou a tarifa respondeu por 42,7% dos embarques (500.218), enquanto 57,3% das viagens (672.224) foram viabilizadas por gratuidades e benefícios tarifários.
“No acumulado de março a agosto, a fatia de usuários pagantes vem encolhendo ano a ano: caiu de 59,6% em 2023 para 43,7% em 2026.”
O descompasso financeiro superou as previsões da Lei Orçamentária Anual (LOA 2026), que reservava R$ 32,4 milhões para subsídios ao longo do ano. Para fechar as contas, o Executivo enviou à Câmara de Vereadores um pedido suplementar de R$ 12,3 milhões.
A verba extra foi aprovada pelo Legislativo em regime de urgência nesta quarta-feira, 21, com dez votos favoráveis e três contrários, autorizando a complementação milionária para a operação.
O diagnóstico faz parte de uma série de relatórios do Observatório Social voltados ao acompanhamento das contas municipais. O material completo é divulgado no perfil @osbfozdoiguacu e compartilhado com veículos locais.



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