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Rio Paraná recua, mas novas chuvas barram volta de famílias

Simepar prevê novas chuvas a partir de quarta; Defesa Civil e Comissão de Cheias de Itaipu pedem cautela à população desabrigada.

Calhas central e esquerda do vertedouro de Itaipu abertas durante a cheia do rio Paraná. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Foz do Iguaçu, PR – A régua que mede o nível do rio Paraná marcou 116,80 metros acima do nível do mar às 14h desta terça-feira (20). O índice representa um alívio momentâneo de pouco mais de um metro na comparação direta com a medição de segunda-feira (19), mas a água continua quase 15 metros acima da cota de normalidade do trecho, estabelecida em torno de 102 metros.

Mesmo com a margem secando aos poucos em alguns pontos mais altos, o terreno segue alagado nos bairros ribeirinhos mais baixos de Foz do Iguaçu. Por causa dessa condição e da aproximação de uma nova frente de instabilidade, a determinação das equipes de campo é para que as famílias desalojadas não tentem retornar para casa agora.

De acordo com o monitoramento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a trégua do tempo dura pouco. As chuvas devem atingir a cidade e toda a extensão da bacia do rio Iguaçu a partir desta quarta-feira (21). A água que desce pelo leito do Iguaçu encontra a calha do Paraná logo adiante, formando uma barreira física que represa o fluxo e retarda o escoamento natural.

O panorama completo das vazões e volumes acumulados é publicado todos os dias no Boletim Hidrológico, acessível no endereço www.itaipu.gov.br. A Comissão de Cheias da usina de Itaipu acompanha as leituras horárias e reforça a orientação para que os moradores de áreas de risco consultem as publicações diárias e sigam rigorosamente as ordens de abrigo e evacuação da Defesa Civil.

No complexo hidrelétrico, os operadores mantêm abertas as calhas central e esquerda do vertedouro, liberando uma média contínua de 12,8 milhões de litros de água por segundo. Essa manobra de descarte tornou-se necessária pelo grande volume que vem das usinas situadas no curso superior do rio, somado ao tributo das bacias menores que deságuam direto no reservatório da binacional.

A previsão das equipes técnicas é manter o vertimento nos próximos dias enquanto persistir a pressão da água a montante e a necessidade de preservar o equilíbrio na geração de energia elétrica. Até que o rio apresente uma descida consistente e o solo das encostas seque, o trabalho de avaliação de perdas materiais, limpeza e reconstrução dos lares permanece travado para centenas de famílias.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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