Rio de Janeiro, RJ – O senador Flávio Bolsonaro (PL) apagou de sua conta no X (antigo Twitter) publicações antigas em que atacava programas sociais e chamava o Bolsa Família de “bolsa-farelo”. A retirada do conteúdo ocorre a menos de uma semana do segundo turno presidencial, momento em que a campanha tenta conter o desgaste do candidato junto ao eleitorado de baixa renda.
As mensagens foram publicadas entre 2010 e 2014. Nelas, o parlamentar afirmava que o PT usava o benefício para “perpetuar a pobreza”, dizia que o auxílio criava dependência e associava a transferência de renda à compra de votos. Os ataques também atingiam o Renda Melhor, programa fluminense de complementação de renda para famílias vulneráveis.
A exclusão foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que havia baixado em junho o histórico completo das postagens de Flávio na rede. O arquivo continha data, horário, texto e links de cada manifestação, o que permitiu comprovar o sumiço dos posts. Os links originais hoje levam a páginas de erro.
O recuo nas redes ocorre após declarações da campanha criarem atrito eleitoral. Na última segunda-feira, a coordenadora econômica Daniella Marques afirmou à rádio CBN Bahia que um eventual governo do PL adotaria uma transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família buscarem emprego formal ou abrirem um negócio sem perder o dinheiro de imediato.
A oposição e apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva rebateram a proposta, acusando a campanha de planejar o cancelamento do benefício após dois anos. Diante da repercussão, Daniella divulgou vídeo sustentando que sua fala fora distorcida, enquanto Flávio declarou nas redes que se tratava de boato da oposição.
A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de comentário sobre os motivos do apagamento das postagens nem sobre a contradição entre as declarações antigas e o discurso atual.



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