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Rio Paraná sobe e Itaipu abre vertedouro com alerta de chuvas

Chuvas podem superar 350 mm no baixo Iguaçu e no reservatório; Defesa Civil reforça monitoramento em Foz e Ciudad del Este.

Vertedouro de Itaipu aberto para escoar 14,5 milhões de litros de água por segundo. Fotos: William Brisida/Itaipu Binacional

Foz do Iguaçu, PR – As famílias que moram perto das margens dos rios na fronteira entre o Brasil e o Paraguai enfrentam dias de apreensão com a confirmação de uma previsão de chuvas volumosas até o fim deste mês. Boletim emitido pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) aponta que os acumulados de água podem passar de 350 milímetros até o dia 30 de outubro em pontos monitorados na área de interesse da hidrelétrica de Itaipu.

A água esperada deve cair com mais força sobre a bacia do baixo Iguaçu, na calha do próprio reservatório da usina e ao longo dos afluentes Ivaí e Piquiri. O excesso de precipitação afeta diretamente a rotina das vilas ribeirinhas de Foz do Iguaçu e de Ciudad del Este, onde a subida das cheias costuma desalojar quem tem menos opções seguras de moradia.

Nesta quarta-feira (21), a régua de medição do Rio Paraná marcou 116,90 metros acima do nível do mar, superando a marca da véspera. Para dar vazão ao volume que desce pelo sistema hidrográfico, a binacional manteve abertas as calhas esquerda e central do vertedouro, liberando uma média de 14,5 milhões de litros de água por segundo.

O manejo da barragem consegue frear parte do volume de água que corre pelo Paraná, respeitando os parâmetros de segurança técnica da estrutura. Esse controle, entretanto, encontra uma barreira física logo abaixo do complexo hidrelétrico, onde as decisões operacionais da usina não alcançam a dinâmica natural de outros mananciais.

Itaipu não controla as águas do Rio Iguaçu, que desemboca no Rio Paraná a jusante da usina. Se o Iguaçu enche rápido demais, provoca o efeito de remanso, criando um represamento natural que trava a descida do Paraná, faz o nível subir na confluência e atinge em cheio as áreas habitadas das cotas mais baixas.

A Comissão Especial de Cheias da usina e as autoridades governamentais dos dois lados da fronteira acompanham o avanço das águas. A orientação oficial é para que as famílias retiradas de casa continuem nos abrigos, enquanto os demais moradores devem acompanhar as atualizações da Defesa Civil e o Boletim Hidrológico da binacional.

O coordenador da comissão, engenheiro Paulo Zanelli Jr., explicou que os impactos de cheias anteriores servem de base para os protocolos de contenção adotados na região:

“As maiores cheias históricas registradas na região ocorreram em 1992, 1983 e 2014, nesta ordem. Cada um desses eventos proporcionou experiências e aprendizados importantes, que contribuíram para aprimorar o monitoramento, o planejamento e a atuação das equipes da Itaipu, sempre com o objetivo de zelar pela segurança da barragem e minimizar os impactos das cheias sobre a população.”

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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