Paranaguá (PR) – Professoras, professores e equipes pedagógicas que atuam nas ilhas e comunidades isoladas do Litoral do Paraná terão o transporte aquaviário garantido pela Secretaria de Estado da Educação (SEED). A medida atende a uma reivindicação histórica de trabalhadores da educação que, durante anos, precisaram arcar com custos elevados para chegar às escolas onde lecionam.
A decisão foi anunciada após reunião entre representantes da SEED, do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, direções escolares e os mandatos da deputada federal Carol Dartora (PT) e do deputado estadual Goura (PDT), que acompanharam a demanda apresentada pelas comunidades escolares.
Em algumas localidades, docentes chegavam a desembolsar até R$ 1 mil por mês para custear deslocamentos por barco. Em outros casos, a falta de transporte adequado obrigava profissionais a permanecerem nas próprias escolas ou buscar hospedagens nas comunidades onde trabalham.
A situação também afetava diretamente o funcionamento das unidades de ensino. Segundo relatos encaminhados à Secretaria da Educação, em determinadas ilhas, o primeiro barco disponível partia apenas às 8h, fazendo com que o início das aulas ocorresse perto das 9h.
“Tal situação compromete a organização pedagógica, a carga horária efetiva dos estudantes e as condições de trabalho dos docentes”, destacou Goura.
Os problemas de deslocamento também contribuíam para a alta rotatividade de profissionais nas escolas do campo. Muitas unidades conviviam com desistências frequentes e dificuldades para manter professores ao longo do ano letivo.
Além do impacto sobre os trabalhadores, a situação levantava preocupações sobre a qualidade da educação oferecida às comunidades insulares, onde o acesso a serviços públicos já enfrenta obstáculos históricos.
Segundo a SEED, serão realizados estudos administrativos e jurídicos para estruturar uma solução permanente, incluindo a possibilidade de contratação específica de transporte aquaviário para atender os profissionais da educação.
Para as comunidades escolares, a medida representa mais do que um benefício logístico. Trata-se de uma ação que busca garantir condições dignas de trabalho para os educadores e assegurar a continuidade do ensino em territórios onde a escola desempenha papel fundamental para a vida comunitária.
A expectativa agora é que a nova estrutura reduza custos para os profissionais, fortaleça a permanência dos docentes nas escolas e contribua para diminuir desigualdades educacionais históricas presentes no litoral paranaense.



















