São Paulo, SP – Milhares de estudantes secundaristas e universitários ocuparam a Avenida Paulista nesta semana em um grande ato convocado no âmbito das mobilizações do Dia do Estudante. O protesto reuniu alunos de mais de 150 escolas de diversas regiões da capital paulista, além de lideranças do movimento estudantil de todo o país, para denunciar o desmonte da educação pública no estado de São Paulo, combater os processos de privatização promovidos pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defender a soberania nacional frente a ingerências estrangeiras.
A manifestação paulista foi organizada pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES-SP), União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Nacional dos Estudantes (UNE), integrando uma jornada nacional de lutas com atos simultâneos em diversos estados brasileiros.
Críticas à plataformização e cobrança por verbas travadas
A pauta local da manifestação esteve concentrada no avanço das políticas de privatização, militarização e na chamada “plataformização” do ensino adotada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. De acordo com lideranças estudantis e sindicais presentes, a dependência excessiva de aplicativos digitais e plataformas privadas compromete a autonomia pedagógica dos professores, favorece conglomerados empresariais e desvia recursos necessários para a melhoria estrutural das unidades escolares.
Luna Martins, presidente da UMES-SP, criticou duramente a gestão estadual e enfatizou o contraste entre o discurso oficial e a realidade das salas de aula. “Não aguentamos mais Tarcísio, apelidado não carinhosamente de ‘Tragédia de Freitas’, mentindo em rede nacional falando que a educação de São Paulo está perfeita”, afirmou a dirigente. Luna também cobrou a liberação de recursos financeiros prometidos pelo Palácio dos Bandeirantes para o ensino técnico: “Queremos a verba de R$ 1 bilhão que o governador nos prometeu e ainda não chegou.”
Para o presidente da UPES, Kauam Souza, o modelo de ensino digital imposto afeta diretamente a formação do estudante. “O governador usa a plataformização para favorecer os grandes empresários, mas, para além disso, para acabar com a educação paulista, tirar a liberdade dos professores de dar aula e também favorecer um projeto privatista”, declarou Souza.
Precarização no Centro Paula Souza e nas escolas estaduais
A situação crítica do Centro Paula Souza — autarquia estadual responsável pelas Etecs e Fatecs — também pautou as intervenções na Avenida Paulista. Fernando Salvador, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), ressaltou a escassez de docentes e o avanço da precarização na rede técnica. “Nós seguimos em luta, sindicatos e estudantes, contra a precarização da nossa educação do estado de São Paulo. Chega de Etec sem professor, chega de Fatec sem professor. Nós queremos educação de qualidade”, cobrou o sindicalista.
Relatos de estudantes confirmaram os gargalos estruturais vividos no cotidiano escolar. Quésia Bonato, aluna da Etec José Rocha Mendes, denunciou que a unidade opera com instalações provisórias há mais de dez anos. “É muito difícil você ir para a escola todo dia, querer estudar, querer aprender e não ter ensino de qualidade”, afirmou.
Yasmim dos Santos, presidente do grêmio da Escola Estadual Martim Francisco, destacou que a lógica de metas das plataformas desumaniza o aprendizado. Já Miguel, vice-presidente do grêmio da Escola Nossa Senhora Aparecida, na Vila Carioca, apontou as assimetrias regionais no ensino público: “A precarização atinge especialmente alunos de regiões marginalizadas. Queremos uma escola capaz de garantir oportunidades, e não apenas preparar jovens para ocupar postos de trabalho de baixa remuneração.”
O ex-presidente da UNE e vereador de Campinas, Gustavo Petta (PCdoB), relembrou a paralisação da categoria promovida no primeiro semestre e reforçou o papel histórico da juventude. “Essa mobilização aqui hoje aumenta o volume da insatisfação dos estudantes com esse governo. Com a insatisfação em relação à precarização e o desrespecto aos professores. A precarização, a privatização, a militarização, nós dizemos não”, ressaltou.
Keila Pereira, presidente licenciada da Federação das Mulheres Paulistas, questionou a propaganda do governo referente à “escola do futuro”. “A escola do futuro que o Tarcísio gosta de propagandear, na verdade, está entregando uma escola cada vez mais sucateada. As plataformas digitais só servem para dar lucro para os amigos dele”, apontou.
Defesa da soberania e combate às influências externas
A articulação entre a melhoria das escolas e a soberania nacional permeou as palavras de ordem dos manifestantes, com faixas estampando frases como “Puxa-saco de americano, aqui não se cria” e “Em defesa do Brasil e da Educação”. Os estudantes denunciaram articulações da família Bolsonaro nos Estados Unidos e a aproximação política do governo Tarcísio com setores da extrema-direita americana liderados por Donald Trump.
“Os estudantes não vão tolerar puxa-saco de americano, lacaios dos Estados Unidos tentando intervir nas eleições e nas decisões de nossa pátria”, disse Luna Martins. Magu Haddad, diretora da UNE, reforçou o elo entre soberania e desenvolvimento social: “Estamos nas ruas contra os traidores da pátria, porque Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e todas as suas corjas representam tudo de ruim, querem entregar tudo que é nosso nas mãos dos Estados Unidos. Sem as nossas riquezas, sem soberania nacional, sem o nosso investimento na nossa indústria, a gente também não vai ter educação de qualidade.”
A presidente da UBES, Roberta Pontes, vinculou os protestos à manutenção do regime democrático e à pauta trabalhista das famílias dos estudantes. “Os estudantes do Brasil inteiro estão se organizando nas ruas com um mote específico: ‘Bolsonaro nunca mais, com soberania, educação e o fim da escala seis por um’. A gente entende que nesse momento a nossa democracia segue em risco por esses que tentaram um golpe de Estado e que mataram mais de 700 mil pessoas na pandemia. Jamais poderemos deixar com que essa família volte ao poder”, discursou Roberta, acrescentando que a jornada de trabalho 6×1 atrapalha a permanência dos jovens em sala de aula.
Mobilização de âmbito nacional
A manifestação na Avenida Paulista fez parte de uma onda nacional de protestos articulada pela UNE, UBES, União da Juventude Socialista (UJS) e entidades estaduais. Atos com reivindicações por mais orçamento para o ensino público e repúdio a interferências externas ocorreram em diversas capitais:
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Minas Gerais: Na Praça Sete, em Belo Horizonte, a União Estadual dos Estudantes (UEE-MG) e a União Colegial de Minas Gerais (UCMG) protestaram contra a mercantilização do ensino.
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Rio de Janeiro: Passeata no centro da capital fluminense, com concentração na Igreja da Candelária, defendeu a soberania nacional e pediu a responsabilização criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Pernambuco: No Recife, a mobilização ocorreu nas escadarias da Faculdade de Direito, ressaltando o lema de autonomia nacional.
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Bahia: Em Salvador, a Associação Baiana Estudantil Secundarista e a União dos Estudantes da Bahia recolheram votos para o Plebiscito Popular, pautando o fim da escala 6×1, a isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil e a taxação de grandes fortunas.
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Ceará: Manifestantes em Fortaleza saíram às ruas em defesa do financiamento público e contra o aumento das taxas de juros.
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Pará: Em Belém, a juventude reivindicou o passe livre estudantil para combater a evasão escolar.
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Distrito Federal: Estudantes do DF concentraram-se em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, reafirmando preceitos democráticos.
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Outras regiões: Ocorreram registros de protestos em São Luís (MA), Teresina (PI), Aracaju (SE) — com defesas de ampliação do programa Pé-de-Meia —, João Pessoa (PB) e Porto Alegre (RS).
Ao avaliar a dimensão das ruas, a presidente da UNE, Bianca Borges, convocou os estudantes a manterem o calendário de lutas para as celebrações do 7 de Setembro. “A nossa soberania não se negocia. Nós, estudantes, queremos ser donos e senhores do nosso próprio destino. O 7 de setembro é uma nova data de luta contra Tarcísio, Bolsonaro e Trump, em defesa do nosso país e dos nossos direitos”, concluiu.




















