MP aciona Justiça contra edital que privatiza escolas em SP

MP aciona Justiça contra edital que privatiza escolas em SP

Ação civil pública questiona contratação de profissionais por CLT sem concurso público e autorização para ONGs sem experiência assumirem a administração escolar.

Ação civil pública movida pelo MPSP e Defensoria Pública contra o edital da Prefeitura de São Paulo. Foto: Reprodução/Internet.
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SÃO PAULO, SP — O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Defensoria Pública do Estado ingressaram com uma ação civil pública com pedido de liminar para barrar o edital que privatiza escolas em São Paulo. A medida da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) autoriza o repasse da gestão de três Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) para organizações da sociedade civil (OSCs). Diante da contestação, a Justiça deu prazo de 72 horas para que a Prefeitura preste esclarecimentos antes de julgar a paralisação do processo.

As entidades autoras do processo sustentam que o projeto viola preceitos constitucionais, enfraquece a carreira do magistério e abre brecha para a transferência de R$ 120,6 milhões de verbas públicas para a iniciativa privada ao longo de cinco anos. O valor cobriria despesas com pessoal, manutenção e custos administrativos. MP e Defensoria apontam riscos graves, como a contratação de diretores, coordenadores e professores pelo regime da CLT — em substituição ao concurso público — e a permissão para que entidades sem histórico comprovado na área educacional assumam a administração escolar.

Oposição aponta sucateamento da carreira docente

A proposta gerou forte reação de parlamentares paulistanos. O vereador Celso Giannazi (PSOL) afirmou estar “na linha de frente contra esse absurdo” e informou ter acionado o Poder Judiciário em conjunto com o deputado estadual Carlos Giannazi e a deputada federal Professora Luciene Cavalcante. O parlamentar apresentou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 89/2026 com o objetivo de anular o edital. Segundo ele, “esse modelo irá acabar com os concursos públicos e piorar as condições de trabalho e a qualidade do ensino”.

No mesmo sentido, a vereadora Luana Alves (PSOL) celebrou a intervenção dos órgãos de fiscalização e classificou a medida como um avanço perigoso na mercantilização do ensino básico. “A Prefeitura lançou esse edital bizarro”, declarou, ressaltando o alto custo do projeto ao destinar “R$ 120 milhões, um valor altíssimo, para sair para a iniciativa privada 3 EMEFs”.

Luana destacou a consistência jurídica da ação, apontando que o edital precariza as relações de trabalho na rede. “Primeiro, que esse edital precariza os vínculos de professores, coordenadores pedagógicos”, disse, lembrando que o próprio Ministério Público classificou o uso de celetistas como “um retrocesso em relação à carreira do magistério”. A parlamentar também questionou o critério de seleção ao permitir que “entidades sem nenhum tipo de experiência com educação sejam as gestoras e ganharem esses 120 milhões de reais para gerir três escolas”. Para ela, o cenário exige resistência comunitária: “Todo mundo sabe que a ideia do Ricardo Nunes é, cada vez mais, seguir privatizando e precarizando a educação de São Paulo. O que vai conseguir evitar é a nossa mobilização de professores, professoras, pais e mães de alunos”.

Disputa de narrativas sobre verbas da educação

As críticas foram endossadas pelo vereador Eliseu Gabriel (PSB), que repudiou o uso de verbas públicas da educação por gestores privados. “Escola pública não está à venda”, cravou. De acordo com o vereador, “o dinheiro que a lei destina para a educação pública não pode ser transferido para empresários donos de ONGs”. Ele rejeitou o argumento de que a medida se trata apenas de apoio administrativo. “Só um esclarecimento: terceirizar a gestão é o mesmo que privatizar! Pior ainda: pagar ONGs de empresários espertalhões com o dinheiro dos impostos que pagamos!”, pontuou.

Por outro lado, a Secretaria Municipal de Educação (SME) rebateu as acusações por meio de nota enviada à Justiça e à imprensa. A pasta negou que o modelo configure privatização e assegurou que os estabelecimentos continuarão públicos, gratuitos e integrados à Rede Municipal de Ensino. A SME alegou que as unidades ficarão sob supervisão das Diretorias Regionais de Educação e argumentou que a gestão compartilhada com organizações sociais já é uma prática adotada em outros setores da rede.


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