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MPF arquiva caso Gonet por 5 a 4 e manda recado político ao STF

Diferente de Moraes no STF, chefe da PGR não compareceu nem votou em debate sobre relações com Daniel Vorcaro no caso Master.

Ala derrotada no MPF valoriza enfrentamento do tema e compara ordem interna ao adiamento provocado por discussões no Supremo. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Brasília, DF – A sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal que analisou menções a Paulo Gonet no caso Master expôs uma leitura interna unânime: a condução do colegiado funcionou como um contraponto direto ao desgaste recente registrado no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto os subprocuradores que defendiam abrir um inquérito quanto os que votaram pelo arquivamento concordam que o encontro transmitiu uma mensagem explícita à cúpula do Judiciário, dez dias após a tentativa frustrada dos ministros de deliberar sobre uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Enquanto a sessão do Supremo foi marcada por discussões acaloradas, bate-bocas, desrespeito mútuo, interrupções e episódios em que a presidência da Corte acabou desautorizada por colegas, o encontro do Ministério Público Federal manteve tom regimental e debate contido. No STF, o processo sobre Moraes terminou em indefinição e adiamento formal da decisão. Na Procuradoria-Geral da República, o julgamento foi concluído sem manobras protelatórias, apesar das divisões profundas de mérito.

Outra diferença central apontada pelos subprocuradores envolve a postura direta das autoridades visadas. Paulo Gonet, que preside o Conselho Superior, declarou-se impedido, não votou e sequer esteve presente no plenário durante a deliberação sobre a própria conduta e suas relações com Daniel Vorcaro. Já no STF, Alexandre de Moraes permaneceu na sessão, tomou parte nas discussões sobre o processo do qual era alvo e votou na questão de ordem apresentada para postergar a conclusão do caso.

O resultado da votação no MPF também foi interpretado como demonstração de independência pelos dois grupos. A apuração contra Gonet foi barrada por um placar estreito de 5 a 4. Um subprocurador afirmou que a margem apertada comprova que o colegiado não agiu para blindar o chefe da instituição nem adotou postura dócil e subserviente. Mesmo a ala derrotada na votação considerou positiva a realização do debate, sustentando que o enfrentamento aberto do assunto protegeu a imagem institucional do Ministério Público diante do impasse registrado na Suprema Corte.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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