Mortes nas estradas levam deputado a cobrar concessionárias

Mortes nas estradas levam deputado a cobrar concessionárias

Requerimento apresentado na Alep busca informações sobre obras e medidas de segurança em trechos com histórico de acidentes fatais.

Segurança viária volta ao centro do debate nas rodovias paranaenses. Foto: Divulgação/Assessoria Parlamentar
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Curitiba (PR) — Quase 600 pessoas morreram nas rodovias federais do Paraná apenas em 2025. O número, que representa uma morte a cada 14 horas, levou o deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos), presidente da Comissão de Obras, Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a cobrar explicações das concessionárias responsáveis pelos trechos pedagiados do estado.

O parlamentar protocolou um requerimento solicitando informações detalhadas sobre as obras, intervenções e medidas de segurança adotadas pelas empresas que administram os seis lotes de rodovias federais concedidas pelo Governo Federal no Paraná. O objetivo é entender quais ações estão sendo executadas para reduzir acidentes, principalmente nos pontos que acumulam registros recorrentes de colisões e vítimas.

A iniciativa foi motivada por dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que contabilizou 7.620 acidentes nas rodovias federais paranaenses ao longo de 2025. O cenário preocupa ainda mais diante do levantamento que aponta aumento de aproximadamente 14% no número de mortes nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para Leprevost, o debate vai além das estatísticas. Segundo ele, os locais mais perigosos das estradas são conhecidos há anos pelos órgãos responsáveis e pelas próprias concessionárias.

“Estamos falando de centenas de vidas perdidas todos os anos. Não podemos aceitar que tragédias continuem acontecendo repetidamente nos mesmos locais sem que haja intervenções urgentes e efetivas. A população paga pedágio e espera segurança”, afirmou.

Entre os trechos que historicamente aparecem entre os mais críticos do estado estão segmentos das BRs 277, 376, 373 e 476, rodovias que concentram grande fluxo de veículos de passeio, transporte de cargas e deslocamentos regionais.

O questionamento do deputado busca justamente compreender por que acidentes semelhantes continuam ocorrendo em pontos já identificados como áreas de risco.

“Se os locais mais perigosos são conhecidos, por que continuam registrando os mesmos acidentes? O que efetivamente está sendo feito para evitar novas tragédias?”, questiona.

No requerimento encaminhado às concessionárias, o parlamentar solicita informações sobre os trechos considerados críticos em cada lote rodoviário, as intervenções já realizadas para ampliar a segurança viária, as obras atualmente em execução ou previstas, os cronogramas de implantação, além de indicadores que permitam avaliar se houve redução dos acidentes após as melhorias.

Também foram solicitados dados sobre o mapeamento dos pontos com reincidência de ocorrências e as tecnologias utilizadas para monitoramento e prevenção, incluindo sistemas inteligentes de tráfego e controle de velocidade.

Leprevost afirma que a população espera respostas concretas e não apenas projeções futuras.

“A sociedade quer saber o que está sendo feito agora, exatamente nos pontos onde as pessoas continuam morrendo. Cada acidente fatal que se repete no mesmo local não é apenas uma estatística; é um indicativo de que alguma medida necessária ainda não foi tomada”, destacou.

O documento foi encaminhado às concessionárias Via Araucária, EPR Litoral Pioneiro, Motiva Paraná, EPR Paraná, Via Campo e EPR Iguaçu, responsáveis pelos lotes concedidos no estado.

O debate ocorre em um momento de retomada das concessões rodoviárias federais no Paraná, tema que há anos mobiliza usuários, transportadores, setor produtivo e comunidades que vivem às margens das rodovias. Para quem utiliza diariamente essas estradas, a discussão envolve mais do que obras e contratos: trata-se da expectativa de que os investimentos previstos se traduzam em viagens mais seguras e na redução de um número de mortes que continua preocupando autoridades e a sociedade paranaense.

“Estamos diante de contratos bilionários e da cobrança permanente de tarifas de pedágio. Por isso, é legítimo que a população saiba exatamente quais ações estão sendo realizadas para salvar vidas. A segurança viária deve ser prioridade absoluta”, concluiu o deputado.


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