SÃO PAULO, SP — A ex-ministra e pré-candidata ao Senado Simone Tebet (PSB-SP) defendeu publicamente que o Conselho de Ética do Senado Federal abra uma investigação formal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A cobrança ocorre após novas revelações apontarem a emissão de notas fiscais do escritório de advocacia do parlamentar para figuras ligadas ao escândalo do Banco Master, além de contradições em declarações anteriores sobre pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, em meio aos debates antes de qualquer votação no Congresso.
Segundo Simone, a conduta de Flávio fragiliza o decoro parlamentar e exige respostas institucionais urgentes por parte da Casa Legislativa. “Ele mentiu lá atrás dizendo que não tinha pedido dinheiro e depois disse que tinha pedido, que não era bem assim. Essa história está muito mal contada. Diante de todos esses indícios, a pergunta que fica é a que eu já fiz lá atrás: cadê o Conselho de Ética do Senado Federal, uma vez que ele é um senador da República?”, questionou a ex-ministra do Planejamento do governo Lula e ex-senadora.
Notas fiscais e elo com o Banco Master na votação no Congresso
O centro da contestação envolve a emissão de notas fiscais pelo escritório individual de advocacia de Flávio Bolsonaro. Foram registradas duas notas de R$ 500 mil direcionadas a uma empresa denominada Copenhagen, posteriormente canceladas. No entanto, uma terceira nota fiscal de igual valor (R$ 500 mil) foi efetivada para um contador associado ao Banco Master. Simone destaca que o cenário demonstra um desdobramento que vai além de uma ocorrência pontual.
De acordo com a pré-candidata, a relação financeira do grupo com a família Bolsonaro vem de períodos anteriores. Em 2022, Fabiano Zettel, apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, repassou R$ 2 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro e R$ 1 milhão para a candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. A ex-ministra reforça que o histórico inclui mensagens, áudios e comprovantes que indicam a solicitação e o repasse de recursos expressivos.
O montante negociado entre as partes visava ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”. Embora os diálogos registrassem uma solicitação inicial de R$ 134 milhões por parte do parlamentar, comprovantes confirmam que o banqueiro efetuou o envio de pelo menos R$ 61 milhões para o projeto audiovisual.
Questionamentos às urnas eletrônicas e estratégia eleitoral
Simone Tebet também analisou as recentes declarações de Flávio Bolsonaro ao atacar a credibilidade do sistema eletrônico de votação no Brasil. Para a pré-candidata, a repetição da retórica contesta a integridade do processo eleitoral de forma incoerente, repetindo métodos aplicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que acabou condenado pela Justiça Eleitoral por conduta semelhante.
Simone enfatiza que o discurso surge no momento em que as apurações financeiras se afunilam, funcionando como uma tentativa de desviar o foco das acusações e criar justificativas diante de eventuais reveses nas urnas. “De novo essa lenga-lenga. As mesmas urnas eletrônicas que já o elegeram deputado estadual, que já o elegeram senador da República e que já elegeram o pai presidente da República. É quase como uma vacina para embaralhar e confundir a cabeça do eleitor, e também uma vacina, quem sabe, para depois querer discutir o resultado das urnas em caso de perda”, pontuou Simone Tebet.


















