SÃO PAULO, SP — O pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), afirmou que pretende submeter a um pente-fino os contratos de concessão do transporte público e de serviços essenciais, tornando a revisão das privatizações em SP um dos eixos centrais de sua campanha ao Palácio dos Bandeirantes. A declaração foi dada em entrevista à rádio Nova Brasil FM após uma jornada de transtornos no sistema ferroviário paulista, quando falhas de energia, incêndio em composição e corte de cabos afetaram as linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e 10-Turquesa, exigindo plano de emergência na Linha 3-Vermelha do Metrô.
Durante a sabatina, Haddad apontou os sucessivos problemas registrados após a recente entrega das linhas à operadora privada Trivia Trens e comparou a situação ao seu trabalho no Ministério da Fazenda. Segundo o petista, ao lado do ministro Renan Filho e com respaldo do Tribunal de Contas da União (TCU), foi preciso reavaliar acordos firmados por Tarcísio de Freitas quando este chefiava o Ministério dos Transportes na gestão Jair Bolsonaro. Ele assegurou que adotará a mesma postura no estado para identificar eventuais cláusulas prejudiciais ao Tesouro, falhas de fiscalização e inconsistências.
Pente-fino nos contratos estaduais
A disposição de reavaliar concessões não se limita aos trilhos. O ex-prefeito adiantou que a checagem alcançará a privatização da Sabesp e o projeto do novo Centro Administrativo do governo estadual na capital. Haddad ponderou que a medida não implica anulação automática e irrestrita de todos os acordos, mas sim uma análise individualizada para preservar o que for benéfico e corrigir o que trouxer prejuízo ao interesse público. Para exemplificar sua conduta em administrações passadas, o pré-candidato lembrou ações de sua gestão na Prefeitura de São Paulo (2013-2016), destacando o fim da taxa de inspeção veicular, o combate à Máfia do ISS, a suspensão do contrato do túnel Roberto Marinho e a continuidade de iniciativas como a revitalização do Centro.
As críticas sobem de tom no momento em que a oposição questiona garantias tarifárias, metas de investimento e ferramentas de controle público na venda da companhia de saneamento, além da transferência de órgãos estaduais ao centro paulistano via parceria público-privada. O debate explicita dois projetos opostos: de um lado, a atual gestão estadual defende a expansão da iniciativa privada na condução de serviços essenciais; de outro, Haddad sustenta a necessidade de fiscalização permanente e readequação de contratos sempre que houver indícios de perdas para os cofres públicos ou queda na qualidade do atendimento à população.


















