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Alckmin diz que bolsonaristas atuam contra a economia do país

Alckmin afirma que ninguém está acima da lei, critica venda da Sabesp e condena atos antidemocráticos convocados para o feriado nacional.

O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a autonomia dos órgãos de fiscalização e criticou manifestações com teor golpista. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília, DF – O vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, declarou que grupos bolsonaristas trabalham ativamente contra os interesses econômicos nacionais e defendeu apuração irrestrita sobre as suspeitas que envolvem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o Banco Master. Em entrevista ao portal Metrópoles neste domingo (6), Alckmin afirmou que o respeito ao regime democrático separa os grupos políticos no país e condenou investidas internacionais que visam enfraquecer o mercado interno.

“O que diferencia mesmo na vida pública é quem tem apreço pela democracia e quem não tem apreço pela democracia. E não é possível você fazer campanha no exterior contra o país, torcendo contra o emprego no Brasil, a economia, as empresas; o tarifaço”, afirmou o vice-presidente.

Suspeita de propina em doações eleitorais de 2022

Alckmin cobrou rigor na apuração das declarações prestadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em proposta de delação premiada, Vorcaro relatou que repasses de R$ 5 milhões efetuados na disputa eleitoral de 2022 — sendo R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões para a de Jair Bolsonaro — envolveram acerto de propina com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais paulista.

Os valores declarados à Justiça Eleitoral saíram do nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. Zettel figurou como o principal doador individual de Tarcísio e de Bolsonaro no pleito de 2022, apontado como intermediário dos recursos do Banco Master.

“Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação”, explicou Alckmin.

Crise institucional no Judiciário e autonomia da PF

O vice-presidente tratou como “muito triste” a crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada por menções a ministros no âmbito das apurações do Banco Master, e cobrou resposta direta dos órgãos fiscalizadores.

“Acho que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e que tenha consequências. Ninguém está acima da lei”, declarou.

Alckmin reforçou que o rigor da lei deve recair com mais força sobre autoridades públicas. “Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa a quem doer”, disse.

Ele comparou a conduta atual com as ingerências verificadas na gestão anterior. “Quero fazer aqui um destaque ao trabalho do governo do presidente Lula, que trabalha com espírito republicano. Ninguém da Polícia Federal é ameaçado. Nenhum diretor é substituído porque investigou A, B ou C. O Ministério Público tem total liberdade”, acrescentou.

O posicionamento faz referência direta ao mandato de Jair Bolsonaro (PL), marcado pela substituição de diretores-gerais e chefias da Polícia Federal para frear apurações sobre familiares e aliados, episódios registrados em relatórios e em gravações de reuniões ministeriais.

Avaliação do governo de São Paulo e atos de 7 de Setembro

Ao analisar a disputa no estado de São Paulo, o vice-presidente afirmou que Fernando Haddad (PT) tem apontado com precisão as falhas da administração de Tarcísio de Freitas.

“Tem o caso da Sabesp, que não é o fato de ter privatizado, mas você tem uma das melhores e maiores empresas do mundo, não tem um concorrente, é uma coisa estranha. Uma piora da segurança pública, do feminicídio, roubos de celular, da educação. Enfim, eu acho que ele [Haddad] está caminhando”, avaliou.

Alckmin também repudiou a manifestação convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista para o feriado da Independência, rechaçando pautas antidemocráticas no 7 de Setembro.

“Que as pessoas façam campanha, isso é natural. Faz campanha, faz congresso, defende as suas teses, nenhum problema. O que não pode é no dia da Pátria, que é o 7 de Setembro, você ter saudade de golpe militar, isso não é possível”, concluiu.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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