Eleições em Brasília: Flávio Bolsonaro perde apoio de aliados

Eleições em Brasília: Flávio Bolsonaro perde apoio de aliados

Decisão do PP e do União Brasil libera diretórios estaduais para alianças regionais com a direita ou com aliados do governo Lula.

Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro em Brasília. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
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BRASÍLIA, DF — As negociações para as eleições em Brasília ganharam novos contornos após o presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PP-PI), comunicar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que a federação formada entre PP e União Brasil adotará neutralidade na corrida à Presidência da República no primeiro turno. A decisão, informada em conversa realizada nesta quarta-feira (22), prevê a possibilidade de manter a posição isenta no segundo turno. O recuo ocorre após a pré-candidatura do PL já ter recebido a negativa da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor o posto de vice na chapa majoritária.

A opção da federação pela neutralidade foi motivada pela necessidade de liberar os diretórios estaduais para firmarem coligações locais. Em diferentes unidades da federação, PP e União Brasil estarão alinhados a nomes de direita, enquanto em outros estados poderão compor com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além dos arranjos regionais, pesou a avaliação interna de falta de tração na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, acentuada por desdobramentos de investigações que citam o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

As apurações integram a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF aponta que conversas interceptadas indicam pagamentos mensais de até R$ 500 mil a Ciro Nogueira, além de despesas com hotéis e restaurantes custeadas pelo empresário. Flávio Bolsonaro defendia publicamente o nome do senador piauiense para compor sua chapa, ressaltando em entrevistas que Nogueira reunia “todas as credenciais” para a vaga.

Eleições em Brasília afetam alianças

Diante das operações de busca e apreensão, um evento público de campanha em que estariam presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira precisou ser cancelado. Outros nomes do cenário político, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também são citados em investigações conexas sobre apurações de negócios com a instituição financeira. No caso do Governo do Distrito Federal, apura-se a transação de R$ 12 bilhões efetuada pelo Banco de Brasília (BRB) na aquisição de carteiras de ativos.

Buscando reverter o desgaste, Flávio Bolsonaro divulgou posicionamentos críticos ao governo federal nas redes sociais e defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “A CPI do Banco Master precisa sair do papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade”, declarou o senador. No Congresso, os requerimentos de CPI foram protocolados na Câmara em 30 de abril pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-SP) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), enquanto tentativas de aprofundar as apurações na CPI do INSS, no Senado, sofreram objeções de parlamentares oposicionistas.

A crise provoca ainda reflexos em palanques estaduais do PL. No Ceará, a vereadora Priscila Costa (PL) recuou da disputa ao Senado para concorrer a deputada federal — vaga que assumiu temporariamente após a cassação do mandato da deputada Dayany Bittencourt —, movimento decorrente da perda de sustentação política que gerou divergências entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Impactos das eleições em Brasília

Diante do impasse com a federação PP-União, a articulação do PL foca em aliança com o Republicanos até o limite legal das convenções, em 5 de agosto. O Republicanos, no entanto, sinaliza tendência à neutralidade devido a atritos estaduais. No Mato Grosso, o PL lançou o senador Wellington Fagundes ao governo estadual, preterindo o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato à reeleição, gerando desgastes que se repetem em negociações no Acre e em Roraima.


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