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Mendonça pede sessão pública do STF sobre Vorcaro e Moraes

Relator tirou sigilo de relatório da PF com supostos pedidos de ajuda do ex-banqueiro a Moraes antes de tentativa de fuga para Dubai.

Ministro André Mendonça determinou o fim do sigilo sobre documentos da Operação Compliance Zero. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Brasília, DF – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (1º) que o plenário da Corte julgue as conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. A manifestação consta no despacho em que o relator retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF) produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master.

Segundo Mendonça, o plenário é a “instância soberana” para avaliar os novos elementos da investigação e decidir se abre apuração formal contra Moraes. “O caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”, escreveu o ministro. Ele defendeu ainda que o julgamento ocorra em sessão presencial aberta: “A aludida deliberação, pelo plenário da Corte, deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado”. A inclusão do tema em pauta depende do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

O material sob análise foi extraído do celular de Vorcaro após quebra de sigilo autorizada pela Justiça. Preso preventivamente, o fundador do Banco Master é suspeito de ter pedido intervenção direta a Moraes junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na tentativa de frear a apuração.

Os registros indicam que, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido enquanto tentava embarcar em um jatinho particular rumo a Dubai, Vorcaro consultou o ministro sobre deixar o país: “Que loucura, bem na semana em que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo [Augusto Soares Leite, que determinou a prisão de Vorcaro]? E o [Gabriel] Galípolo [presidente do Banco Central], está sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que na segunda já tenho que estar fora?”.

A Polícia Federal sustenta a hipótese de que Moraes forneceu informações privilegiadas a Vorcaro a respeito dos passos da operação. Em outra mensagem localizada no aparelho, o empresário declara ter uma “dívida de vida” com a família do magistrado: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada para conseguir concluir, se Deus quiser”.

O inquérito detalha também movimentações financeiras entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A banca mantinha contrato estimado em US$ 25,5 milhões (cerca de R$ 131 milhões) com a instituição financeira. A apuração policial identificou ainda a cessão de cotas de uso de aeronaves ao escritório: um avião avaliado em US$ 5,5 milhões (mais de R$ 28 milhões) e um helicóptero de US$ 1,3 milhão (R$ 6,7 milhões).

Quando as primeiras mensagens surgiram no início do ano, Moraes negou ter conversado com o ex-banqueiro. A deliberação presencial sugerida por Mendonça agora colocará os ministros da Corte diante do pedido de abertura de investigação sobre o colega de tribunal.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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