Oposição pede suspensão de decreto sobre educação nos CENSEs do Paraná

Oposição pede suspensão de decreto sobre educação nos CENSEs do Paraná

Educadores criticam aumento da burocracia no sistema socioeducativo do Paraná.

Decreto estadual sobre CENSEs gera críticas de professores e parlamentares. Foto: Valdir Amaral/Alep
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Curitiba (PR) — O líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado estadual Arilson Chiorato (PT), apresentou nesta terça-feira (19) um projeto de decreto legislativo que busca suspender os efeitos do Decreto Estadual nº 12.665/2026, publicado pelo Governo do Paraná para regulamentar a oferta educacional dentro dos Centros de Socioeducação (CENSEs).

A proposta surgiu após professores e profissionais ligados à socioeducação apontarem preocupação com as mudanças estabelecidas pela nova regulamentação. Segundo os educadores, as alterações criam exigências burocráticas e administrativas que podem comprometer o funcionamento das atividades pedagógicas voltadas a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.

O decreto entrou em vigor em 5 de fevereiro deste ano e redefine regras relacionadas à organização das escolas instaladas dentro dos CENSEs. De acordo com o parlamentar, o novo modelo desconsidera as especificidades do sistema socioeducativo ao aproximar essas unidades do funcionamento tradicional das escolas regulares.

“As novas regras podem dificultar matrículas, interromper a continuidade das aulas e aumentar a rotatividade de professores, já que o decreto altera a forma de vinculação dos profissionais da educação às unidades”, afirmou Arilson Chiorato.

Educação e ressocialização

O debate em torno da educação dentro dos CENSEs envolve uma das principais bases do sistema socioeducativo brasileiro: o caráter pedagógico e de ressocialização previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).

Professores que atuam nas unidades afirmam que o ambiente escolar dentro dos centros de internação possui dinâmica diferente da rede convencional, exigindo profissionais preparados para lidar com adolescentes em situação de vulnerabilidade, violência e ruptura social.

O projeto protocolado na Alep critica justamente a retirada de critérios ligados à experiência e ao conhecimento específico na área socioeducativa para atuação nas unidades.

Segundo o texto, o excesso de exigências burocráticas pode fragilizar o acesso à educação e transformar o período de internação em uma experiência apenas punitiva, esvaziando o papel pedagógico previsto na legislação brasileira.

“A educação tem um potencial imenso de transformar vidas. Não podemos permitir que uma ferramenta tão valiosa seja negligenciada. Mais do que isso: ignorada no processo de ressocialização de adolescentes”, declarou o deputado.

Possíveis impactos jurídicos

O projeto também alerta para possíveis consequências legais caso o decreto permaneça em vigor sem revisão. Entre os pontos apontados estão riscos de judicialização, responsabilização administrativa do Estado e prejuízos aos direitos educacionais dos adolescentes privados de liberdade.

Para o parlamentar e setores ligados à socioeducação, eventuais dificuldades no acesso à escola dentro dos CENSEs podem aprofundar processos de exclusão social e ampliar obstáculos à reintegração dos jovens após o cumprimento das medidas.

O tema deve gerar novos debates na Assembleia Legislativa nas próximas semanas, especialmente entre entidades ligadas aos direitos humanos, educação e proteção da infância e adolescência.


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