Maringá (PR) — Em meio ao movimento da Expoingá, uma fila de estudantes se formava diante da urna eletrônica instalada no estande da Assembleia Legislativa do Paraná. Para muitos adolescentes, aquele não era apenas um equipamento eleitoral. Era o primeiro contato real com o ato de votar.
A experiência integra a programação da Assembleia Itinerante em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e transforma a feira agropecuária em espaço de educação política, debate democrático e aproximação entre juventude e cidadania.
Enquanto parte do país discute desinformação, ataques ao processo eleitoral e distanciamento político, a iniciativa aposta justamente no caminho oposto: informação, participação e formação cidadã.
Durante as atividades, estudantes do Colégio Tânia Varella Ferreira participaram de simulações de votação utilizando uma urna oficial da Justiça Eleitoral. Com candidatos fictícios, os jovens puderam entender como funciona o sistema eletrônico brasileiro antes do primeiro voto nas eleições reais.
Juventude enfrenta insegurança do primeiro voto
A estudante Ana Carolina Fernandes, de 16 anos, contou que a experiência ajudou a diminuir a ansiedade sobre o processo eleitoral.
“A gente sempre vê os pais votando, mas quando chega a nossa vez dá medo de errar. Aqui conseguimos entender como funciona e isso deixa tudo mais tranquilo”, afirmou.
Para muitos estudantes, o contato direto com a urna ajuda a romper uma barreira criada justamente pela falta de informação política no cotidiano.
Paola Emanoelly Ribeiro Botan, também de 16 anos, destacou que a atividade aproxima os jovens da democracia de forma prática.
“Tem muita gente que chega nervosa porque nunca teve contato com isso antes. Quando você aprende aqui, entende que votar também faz parte da nossa responsabilidade”, disse.
Assembleia Itinerante transforma feira em espaço de cidadania
A ação desenvolvida pelo TRE-PR vai além da demonstração técnica da urna eletrônica. Servidores da Justiça Eleitoral orientam os visitantes sobre voto consciente, acessibilidade, funcionamento do sistema eleitoral e combate à desinformação.
O analista judiciário Frederico de Almeida explicou que a proposta busca fortalecer a educação cidadã fora dos períodos eleitorais.
“A Justiça Eleitoral não trabalha apenas na organização das eleições. Existe também um trabalho permanente de formação cidadã e acesso à informação”, afirmou.
Segundo ele, a urna eletrônica brasileira tornou-se referência internacional em acessibilidade. O sistema possui recursos adaptados para pessoas com deficiência visual, auditiva e dificuldades motoras.
Além disso, os visitantes recebem orientações sobre a chamada “colinha eleitoral”, material onde o eleitor pode anotar previamente os números dos candidatos.
Educação política ganha espaço fora da sala de aula
Em um cenário de crescente afastamento entre juventude e política institucional, iniciativas como a Assembleia Itinerante tentam reconstruir pontes entre população e participação democrática.
Na prática, a experiência mostra que educação política não precisa acontecer apenas dentro das escolas ou durante campanhas eleitorais. Ela também pode ocupar feiras, espaços públicos e ambientes populares de convivência.
Ao levar a urna eletrônica para dentro da Expoingá, a Assembleia Legislativa e o TRE-PR transformam um instrumento muitas vezes tratado apenas como tecnologia eleitoral em ferramenta de aproximação social e formação democrática.



















