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Mendonça manda soltar filho do Careca do INSS

Investigação apura descontos indevidos em aposentadorias; Mendonça considerou desnecessária a prisão preventiva no estágio atual do processo.

Ministro André Mendonça, do STF, durante sessão que reavaliou prisões e cautelares de alvos da PF. Foto: Reprodução.

Brasília, DF – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar nesta quarta-feira (09/09) Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os dois foram alvos da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de fraudes e retenções indevidas em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

A decisão substitui a prisão preventiva de Romeu pelo uso de tornozeleira eletrônica e uma série de restrições judiciais. O alvará de soltura depende da instalação do equipamento, desde que ele não responda por outros crimes. Na avaliação de Mendonça, a permanência de Romeu na cadeia deixou de ser indispensável neste momento do processo, sendo possível conter eventuais riscos com regras cautelares.

A liberação de Romeu faz parte de um pacote de decisões tomadas pelo ministro desde terça-feira (08/09), que reduziu as restrições impostas a réus e investigados já indiciados pela Polícia Federal (PF).

Entre as decisões recentes, Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e mandou retirar a tornozeleira eletrônica de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (que passou a assinar Ahmed Mohmad Oliveira Andrade), ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro e ex-presidente do INSS.

Regras impostas a Romeu Carvalho Antunes

Ao determinar a soltura de Romeu, registrada na Petição (PET) 15.041, André Mendonça fixou que ele deve entregar o passaporte e fica proibido de deixar o Brasil. Também não poderá conversar com testemunhas ou outros investigados, além de estar impedido de frequentar entidades e associações suspeitas de desviar dinheiro de segurados.

O ministro esclareceu no despacho que a saída da prisão não inocenta o acusado:

“Substituir a prisão preventiva significa reconhecer apenas que ela, como instrumento cautelar, não se mostra mais necessária na intensidade anteriormente verificada. Não significa absolver Romeu, desconsiderar os elementos já produzidos ou antecipar resultado acerca do mérito da investigação.”

O pai dele, Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, segue detido em regime preventivo. De acordo com a PF, Antônio atuava diretamente na operação dos desvios nos benefícios previdenciários. Com o avanço das apurações, os policiais constataram indícios de que Romeu assumiu tarefas e posições antes ocupadas pelo pai na engrenagem sob suspeita.

Retirada de monitoramento do ex-ministro de Bolsonaro

Na terça-feira, André Mendonça já havia revogado o uso de tornozeleira eletrônica do ex-ministro Ahmed Mohamad Oliveira Andrade. A Procuradoria-Geral da República avaliou que a conduta de Ahmed durante as investigações não trouxe prejuízos ao trabalho policial e defendeu medidas menos severas.

Apesar de se livrar do aparelho nos pés, o ex-ministro continua obrigado a entregar o passaporte em até 24 horas, não pode sair do país e segue proibido de manter contato com os demais investigados no caso.

Ahmed foi preso em novembro de 2025. Segundo a apuração da PF, ele desempenhava papel estratégico na blindagem e sustentação das fraudes. Os investigadores relatam que ele era chamado nos diálogos interceptados por codinomes como “Yasser” e “São Paulo”.

O histórico de mensagens do celular de Ahmed reúne conversas de agradecimento pelo recebimento de quantias descritas como indevidas. Em uma planilha apreendida, datada de fevereiro de 2023, consta o registro de um repasse de R$ 100 mil vinculado ao ex-chefe da autarquia. A polícia sustenta haver indícios de que o esquema operou plenamente entre março e dezembro de 2022, intervalo em que Ahmed chefiou o Ministério do Trabalho e Previdência.

O que diz a defesa de Ahmed

Em depoimento prestado à CPMI do INSS em setembro de 2025, Ahmed negou qualquer participação em desvios contra os cofres públicos ou aposentados:

“Se houve abusos e irregularidades, esses foram praticados por entidades externas, que devem ser investigadas e punidas com o devido rigor.”

Na mesma audiência, o ex-ministro defendeu a apuração e punição sobre servidores públicos que tenham cometido crimes, mas declarou que o caso não permitia generalizações ou pré-julgamentos.

A Operação Sem Desconto apura o envolvimento de entidades privadas e intermediários em descontos associativos aplicados sem autorização expressa em contracheques de beneficiários da Previdência Social em todo o país.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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