Brasília, DF – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu no final da tarde desta quarta-feira (09/09) as decisões divergentes expedidas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre a troca de comando na Polícia Federal (PF). O despacho mantém Andrei Rodrigues no posto de diretor-geral da corporação. No mesmo ato, Fachin retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e puxou a investigação para o próprio gabinete.
A crise interna no Judiciário começou na terça-feira (08/09), quando André Mendonça determinou o afastamento imediato de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência da PF, Leandro Almada. Horas depois, na manhã de quarta-feira, Flávio Dino expediu uma ordem em sentido contrário e reconduziu os dois policiais às suas funções. Durante o intervalo entre os dois despachos, todos os onze diretores da corporação colocaram os cargos à disposição em apoio coletivo a Rodrigues e Almada, além de publicarem um manifesto que classificou a intervenção de Mendonça como “interferência indevida” na rotina dos agentes.
Além de paralisar a troca no comando policial, Fachin suspendeu todos os procedimentos disciplinares e apurações internas que envolvem membros da própria Corte. A decisão atinge apurações que investigam André Mendonça e Alexandre de Moraes por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Ao justificar a medida, Fachin afirmou que Moraes e Mendonça tomavam medidas sobre temas correlatos a partir do mesmo conjunto de provas. O presidente do tribunal explicou que a duplicidade de despachos criava um “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”, razão pela qual assumiu a condução do inquérito das fake news.
Também nesta quarta-feira, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou a derrubada imediata de todo o sigilo que cerca as investigações do Caso Master. Lula classificou o episódio como “o maior crime financeiro da história do Brasil” e exigiu pressa na divulgação dos documentos para responder ao impasse institucional.
“O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, disse o presidente. Lula criticou a circulação de “vazamentos seletivos” com impactos diretos no debate eleitoral e defendeu que a abertura irrestrita das apurações seja cumprida sem concessões, “doa a quem doer”.



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