Junho Violeta alerta para violência contra idosos no Paraná

Junho Violeta alerta para violência contra idosos no Paraná

Campanha ganha força diante do aumento das agressões, homicídios e do envelhecimento da população paranaense

Grande parte das agressões contra idosos ocorre dentro do ambiente familiar. Foto: Reprodução.
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Curitiba (PR) — O Paraná registrou 132 homicídios de pessoas idosas em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026. O número representa um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior e coloca o Estado entre os que mais registram assassinatos de pessoas com mais de 60 anos no país. Os dados reforçam a importância do Junho Violeta, campanha criada para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a população idosa e fortalecer ações de prevenção e proteção.

Instituído no Paraná pela Lei nº 20.252/2020, o Junho Violeta busca dar visibilidade a uma violência que muitas vezes acontece longe dos olhos da sociedade. Em grande parte dos casos, as agressões ocorrem dentro da própria família e envolvem violência física, psicológica, patrimonial, negligência ou abandono.

O cenário preocupa ainda mais diante das mudanças demográficas observadas no Estado. A população idosa cresce em ritmo acelerado e já representa uma parcela significativa dos paranaenses. Em Curitiba, por exemplo, os idosos já superam o número de crianças e adolescentes de até 14 anos. Segundo a PNAD Contínua 2025, são 328 mil pessoas com mais de 60 anos na capital, correspondendo a 17,9% da população.

O aumento das denúncias também revela uma realidade que durante décadas permaneceu invisível. Dados da Prefeitura de Curitiba apontam crescimento acumulado de 37% nos registros de agressões contra idosos entre 2022 e 2025. A violência doméstica responde por 86% dos casos. Somente em 2024 foram registradas 840 ocorrências, enquanto os números parciais de 2025 já somam 762 notificações.

Autor da lei que criou a campanha, o deputado estadual Cobra Repórter (PSD) afirma que a conscientização é uma das principais ferramentas para enfrentar o problema. Segundo ele, muitas situações de violência permanecem ocultas por medo, dependência financeira ou vínculos familiares que dificultam a denúncia.

Além da mobilização social, o tema também vem ganhando espaço na legislação paranaense. Nos últimos anos, a Assembleia Legislativa aprovou e debateu projetos voltados à proteção da população idosa, incluindo ações de combate ao etarismo, fortalecimento de fundos de apoio, ampliação de mecanismos para localização de idosos desaparecidos, fiscalização de instituições de acolhimento e propostas para ampliar o atendimento médico domiciliar.

Ao longo de junho, a Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa promoverá uma série de atividades voltadas à conscientização da população. Estão previstos webinários semanais com especialistas, profissionais da área, representantes da sociedade civil e pessoas idosas para discutir envelhecimento, fortalecimento dos vínculos familiares, prevenção das violências e canais de denúncia previstos no Estatuto da Pessoa Idosa.

Mais do que uma campanha simbólica, o Junho Violeta surge como um alerta diante de uma realidade que acompanha o envelhecimento da população brasileira. Garantir segurança, respeito e dignidade aos idosos tornou-se um dos principais desafios sociais das próximas décadas.


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