Belo Horizonte, MG – Minas Gerais registrou 1.429 ocorrências de incêndio em vegetação nos primeiros 11 dias de agosto, alcançando uma média de aproximadamente 130 focos por dia — o equivalente a cerca de cinco chamados a cada hora. Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e evidenciam o agravamento da situação motivado pelo período de estiagem rigorosa e pela umidade relativa do ar extremamente baixa que atinge o estado.
Apenas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os militares atenderam 335 chamados no mesmo intervalo. A gravidade da seca refletiu no salto dos índices no acumulado do ano: o volume de ocorrências nos primeiros dias de agosto já ultrapassa, isoladamente, os totais consolidados de janeiro (189), fevereiro (145), março (285) e abril (924). O ápice recente havia sido registrado em julho, quando os bombeiros contabilizaram 2.981 atendimentos a queimadas em todo o território mineiro.
As chamas vêm atingindo áreas de preservação ambiental estratégicas. Entre os locais mais afetados está o Parque Nacional da Serra do Gandarela, importante reserva verde localizada na Grande BH. Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no combate ao fogo na unidade durante os últimos dois dias. O balanço total dos danos ambientais e da extensão da área destruída ainda não foi concluído pelas autoridades.
Ação humana e mudança de comportamento
O tenente Elias Cristovam, da equipe de Comunicação Social do Corpo de Bombeiros, destaca que a estiagem cria o ambiente propício para a propagação das chamas, mas alerta para o fator determinante: cerca de 99% das ocorrências têm origem em atividades humanas.
“Não necessariamente aquela ação voluntária, como: ‘eu quero colocar fogo’, mas alguma ação humana como a queima de lixo, a limpeza de terrenos com fogo e fogueiras que acabam se espalhando para áreas de vegetação”, detalhou o porta-voz da corporação.
Segundo o militar, a contenção dos focos de queimada exige conscientização e alteração de hábitos por parte da sociedade. A corporação orienta que a população evite o uso de fogo para manejo de solo ou eliminação de resíduos domésticos e denuncie imediatamente qualquer ação intencional de vandalismo ambiental.
Para proprietários e gestores de áreas extensas de vegetação, os bombeiros recomendam a abertura e manutenção de aceiros — faixas limpas de vegetação que interrompem a continuidade do combustível e impedem o avanço do fogo. Provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental, com penas previstas que variam de três a seis anos de reclusão, além de aplicação de multa.
Orientações de segurança e emergência
Ao identificar um princípio de incêndio florestal ou em lote vago, a orientação do Corpo de Bombeiros é acionar imediatamente a corporação pelo telefone de emergência 193. Pessoas que estejam nas proximidades do foco de incêndio devem buscar rotas de fuga imediatas em direção a locais seguros, como vias asfaltadas, estradas abertas ou sedes administrativas de parques.
Na ligação de emergência, é fundamental fornecer referências precisas da localização e o máximo de detalhes sobre as condições do terreno e o avanço das chamas. A disponibilização de coordenadas de GPS é encorajada pelas equipes de resgate, pois agiliza o georreferenciamento do ponto crítico e otimiza o deslocamento dos recursos operacionais e das brigadas de combate.


















