Brasília, DF – A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25) proibiu o funcionamento de casas de apostas e jogos virtuais no Brasil, abrindo uma crise financeira de grandes proporções no futebol nacional. A decisão atinge diretamente 14 dos 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro que carregam essas empresas no peito do uniforme, enquanto apenas seis equipes chegam à nova regra sem contratos ativos de patrocínio máster com o setor: Internacional, Bahia, Athletico-PR, Coritiba, Mirassol e Red Bull Bragantino.
O decreto presidencial provocou reação imediata dos dirigentes esportivos, que se posicionavam contra o veto. Segundo o presidente do Flamengo, Eduardo Baptista, as perdas financeiras serão expressivas para a cadeia produtiva dos clubes. Ele estimou que o futebol brasileiro deixará de arrecadar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões já no próximo ano, em um momento em que as diretorias definem o planejamento orçamentário. O Flamengo estampa a marca Betano em sua camisa e integra a lista dos times que terão de romper os vínculos comerciais.
Entre os 14 clubes da primeira divisão com contratos de bets ameaçados estão Palmeiras e Vasco (Sportingbet), São Paulo e Fluminense (Superbet), Corinthians (Esportes da Sorte), Atlético-MG (H2Bet), Cruzeiro (Betnacional), Botafogo (VBet), Santos (Novibet), Vitória (Bet7k), Remo (Vai de Bet), Chapecoense (ZeroUm Bet) e Grêmio (Pitaco). O time gaúcho protagonizou um caso atípico: vinha sem bet na camisa desde que encerrou o vínculo com a Alfa, mas assinou com a Pitaco dois dias antes da assinatura da medida provisória.
Por outro lado, o grupo que escapa do impacto imediato no espaço principal do uniforme apresenta diferentes realidades comerciais. Mirassol e Bragantino são os únicos da Série A que nunca estamparam marcas de apostas como patrocinador máster. As duas equipes paulistas priorizam empresas do ramo de bebidas, como o refrigerante Poty, presente no Mirassol há quase duas décadas. Ambos chegaram a ter acordos em áreas secundárias do uniforme — com a 7K nas mangas do Mirassol e a Betfast no Bragantino —, mas os contratos terminaram antes da temporada atual.
Nos outros quatro times sem patrocínio máster de apostas, os acordos antigos simplesmente expiraram e não foram renovados. O Bahia e o Athletico Paranaense tinham a Viva Sorte Bet como parceira principal até o término de 2025. O Coritiba encerrou no mesmo ano o vínculo com a Reals. O Internacional, por sua vez, finalizou a parceria com a Alfa em janeiro de 2026 e atua no campeonato com publicidades pontuais, sendo a mais recente de uma fabricante de pneus.
A determinação governamental fixa prazos rígidos para o encerramento do mercado e a saída dos operadores. Os apostadores têm prazo até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar o dinheiro mantido nas plataformas virtuais, e os depósitos foram bloqueados desde a publicação do ato. A partir do dia 6 de outubro, todos os aplicativos e páginas na internet saem do ar em definitivo. Conforme explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as instituições financeiras que operam para as casas de aposta farão o reembolso direto caso os clientes não consigam concluir os resgates a tempo.
O cronograma estabelece o dia 5 de outubro como data-limite para a remoção total de campanhas publicitárias físicas e digitais em todo o território nacional, incluindo placas em estádios e estampas em uniformes de jogo. Além da medida provisória, o Executivo anunciou o envio de um projeto de lei em regime de urgência ao Congresso Nacional com penas para quem explorar, operar ou promover jogos de aposta virtuais no país. A decisão revoga a dinâmica estabelecida em dezembro de 2023, quando a lei de regulação do setor havia sido sancionada, e ocorre a nove dias das eleições presidenciais.



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