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EUA vão às urnas em votação que define futuro de Trump

Pleito renova a Câmara e o Senado, podendo frear propostas da Casa Branca ou abrir margem para investigações contra a gestão de Trump.

Trabalhadores rurais e urbanos comparecem às urnas no dia da eleição nos EUA. Foto: Jose Luis Magana/AFP.

Washington, EUA – Eleitores de todos os estados norte-americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para decidir a nova composição da Câmara dos Representantes e de parte do Senado nas chamadas Midterms, as eleições de meio de mandato. O resultado da votação vai definir a correlação de forças em Washington e delimitar o alcance do poder do presidente Donald Trump nos próximos dois anos de governo.

Mais de 56 milhões de pessoas já votaram com antecedência, enviando suas cédulas pelo correio ou comparecendo aos postos de votação antecipada, a depender da legislação de cada estado. O volume reflete a centralidade de uma disputa que vai além da escolha de parlamentares: está em jogo a capacidade da Casa Branca de avançar com propostas legislativas ou a imposição de um freio institucional por parte da oposição.

Se a oposição democrata conquistar a maioria em pelo menos uma das Casas do Congresso, o governo republicano passará a enfrentar entraves para aprovar leis e orçamento, além da abertura de investigações parlamentares sobre ações e decisões da administração federal.

Caso o Partido Republicano preserve o controle de ambas as Casas, Trump terá o caminho aberto para consolidar propostas e chancelar nomeações para o Judiciário e postos estratégicos do Estado. A votação ocorre em meio ao desgaste da imagem do presidente, que registra 32% de aprovação popular segundo a pesquisa mais recente do instituto Reuters/Ipsos, no momento em que as sondagens de opinião indicam vantagem para os democratas.

Diferente do Brasil, onde a apuração é centralizada pela Justiça Eleitoral, os Estados Unidos deixam a contagem a cargo das autoridades locais de cada estado. Por causa dessa descentralização e da checagem do voto postal, a divulgação do resultado final pode levar dias ou até semanas.

Na Califórnia, por exemplo, a lei exige a contagem de envelopes com o carimbo postal até a data do pleito, mesmo que cheguem aos centros de triagem dias depois da votação. Em 2022, o anúncio da maioria no Senado levou quatro dias, enquanto o controle da Câmara só se definiu oito dias após a eleição. Já em 2018, o cenário completo das duas Casas ficou conhecido poucas horas depois do encerramento da votação.

Os parlamentares eleitos nesta terça-feira assumem os cargos no dia 3 de janeiro, data fixada pela Constituição norte-americana para o início dos trabalhos do 120º Congresso. Como o dia 3 de janeiro de 2027 cairá num domingo, a data da sessão solene de posse poderá ser alterada caso o Congresso aprove uma regra específica para o novo ciclo parlamentar.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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