Jerusalém, Israel – Cerca de 7,3 milhões de cidadãos israelenses estão aptos a votar nesta terça-feira (27) na primeira eleição geral realizada após o genocídio na Faixa de Gaza. A consulta popular vai definir as 120 cadeiras do Parlamento e o destino de Benjamin Netanyahu à frente do governo.
De acordo com o Comitê Central de Eleições, mais de 95% dos locais de votação já estavam em funcionamento às 3h, pelo horário de Brasília.
A votação ocorre sob forte desgaste de Netanyahu. O premiê registra índices baixos de aprovação popular, responde a processo judicial interno por corrupção e tem contra si um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na Palestina.
Apesar da rejeição acumulada pelo chefe do Executivo, nenhum grupo de oposição conseguiu construir força eleitoral suficiente para assegurar uma vitória direta nas urnas.
Antes do início da votação, Netanyahu publicou nas redes sociais uma fotografia no Muro das Lamentações com uma mensagem voltada à sua base de apoio:
“Pela vitória do povo de Israel.”

Em outra frente do xadrez político e religioso, o ex-rabino-chefe Yitzhak Yosef, membro do conselho rabínico do partido ultraortodoxo Shas, compareceu às urnas no município de Rishon Lezion logo nas primeiras horas da manhã.
Pelo sistema político local, qualquer sigla precisa assegurar ao menos 61 assentos legislativos para compor maioria e indicar o primeiro-ministro. Levantamentos de intenção de voto mostram que a legenda de Netanyahu deve conquistar entre 20 e 30 vagas, empatada tecnicamente com a oposição Yashar.
O quadro se complica porque os levantamentos mais recentes revelam que nem mesmo alianças pontuais com partidos médios e pequenos seriam suficientes para atingir o número mínimo exigido por lei.
Sem um bloco capaz de viabilizar a maioria parlamentar, o país enfrentará nova paralisia institucional e terá de convocar outro pleito. Esse impasse já levou Israel a realizar cinco votações consecutivas até 2022.
Naquele período, Netanyahu garantiu sustentação política ao fechar acordo com a legenda de extrema direita de Itamar Ben Gvir. A aliança é apontada por analistas internacionais como fator decisivo para a escalada dos ataques militares e a consolidação do genocídio nos territórios palestinos ocupados.



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