Gaza – Um corte no programa alimentar da ONU anunciado pela organização atinge diretamente o fornecimento regular de comida para mais de 1 milhão de palestinos na Faixa de Gaza. A redução drástica no orçamento do Programa Mundial de Alimentos (PMA) compromete de imediato o atendimento humanitário a 200 mil refugiados que já enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar em todo o território sitiado.
A retenção e o atraso no repasse de recursos financeiros por parte de governos doadores forçaram a agência internacional a enxugar as suas operações de emergência. A medida obriga as equipes locais a diminuir a quantidade calórica diária entregue por indivíduo, priorizando apenas estoques mínimos de farinha, grãos e óleo vegetal para evitar o fechamento total das cozinhas comunitárias.
Para centenas de milhares de pessoas encurraladas, o racionamento imposto pela escassez de verbas significa a perda da única refeição garantida do dia. Com a destruição física contínua das áreas agrícolas, o fechamento forçado de estabelecimentos comerciais e o colapso dos empregos formais e informais, as famílias não contam com nenhuma fonte autônoma de renda para sobreviver fora dos circuitos de ajuda humanitária.
A decisão de limitar a assistência externa se soma ao estrangulamento físico imposto nas fronteiras terrestres, em que comboios carregados com caixas de mantimentos permanecem paralisados durante dias em postos de fiscalização militar. A entrada de veículos ocorre em quantidade muito inferior às demandas mínimas da população civil, o que impede a recomposição dos estoques centrais e inviabiliza a distribuição rotineira nos bairros mais isolados.
Entidades de direitos humanos e profissionais de saúde que atuam no território denunciam que o corte de repasses internacionais não representa uma simples dificuldade de gestão administrativa. Trata-se de uma medida que acelera o quadro de desnutrição severa e definhamento físico entre a população, penalizando especialmente crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com doenças graves que já não encontram leitos ou remédios na rede hospitalar destruída.
A retirada desse suporte essencial escancara as disputas políticas e geopolíticas que condicionam as doações destinadas a zonas de conflito armado aberto. Enquanto os países mantenedores dos fundos humanitários atrasam repasses ou impõem condições burocráticas distantes da urgência do terreno, os custos reais do bloqueio e da falta de acordos diplomáticos recaem de forma direta e devastadora sobre civis que não possuem rotas de fuga nem meios materiais para reconstruir suas vidas.
Sem uma recomposição imediata dos valores necessários para manter os comboios e armazéns em atividade diária, os postos de acolhimento e distribuição do PMA correm o risco de interromper as entregas de modo definitivo nas próximas semanas, arrastando contingentes inteiros de civis para a fome absoluta.



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