Londres, Reino Unido – O Partido Verde britânico aprovou em congresso partidário uma resolução que define o sionismo como forma de racismo e defende a criação de um Estado único na região. A medida gerou confronto imediato entre a base partidária e a cúpula parlamentar, justamente no momento em que a legenda atrai eleitores descontentes e atinge recorde de filiados no Reino Unido.
A proposta de um único Estado foi recebida por setores pró-Israel como um posicionamento pela abolição do Estado israelense. O atrito expôs divergências públicas entre dirigentes: enquanto um vice-presidente votou a favor do documento, o assistente dele rejeitou o conteúdo, e quatro dos cinco deputados verdes no Parlamento se manifestaram abertamente contra a resolução.
O líder da sigla, Zack Polanski, que é judeu, não participou da votação no plenário. A posição oficial do congresso gerou divisões profundas entre filiados judeus, motivando um grupo liderado por Vivien Lichtenstein a ameaçar desfiliação em massa caso a diretriz não seja revista.
O tema carrega forte peso no histórico político do país. A discussão sobre Israel e as acusações de antissemitismo foram centrais no processo que desestabilizou e culminou na destituição de Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista em 2020.
A votação ocorre no período de maior crescimento dos Verdes britânicos, que conquistaram centenas de cadeiras nas eleições locais de maio, em contraste com o recuo da mesma sigla na Alemanha. Esse avanço transformou o partido na principal alternativa eleitoral à esquerda no cenário nacional.
Com a repercussão pública do caso, o órgão estatal de combate à discriminação cobrou explicações formais da direção partidária sobre possíveis infrações à legislação de igualdade vigente no país.
A crise enfraquece a pressão exercida pelos Verdes sobre o Partido Trabalhista, que tenta conter a perda de votos à esquerda explorando o isolamento e as disputas internas da legenda rival.



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