Foz do Iguaçu (PR) — Um dos fenômenos astronômicos mais raros das próximas décadas já tem data marcada para acontecer. Em 2 de agosto de 2027, o mundo acompanhará o eclipse solar total mais longo do século 21, evento que poderá mergulhar algumas regiões do planeta em mais de seis minutos de escuridão em plena tarde.
O fenômeno já mobiliza cientistas, astrônomos, fotógrafos e turistas em diferentes países. A duração máxima prevista é de 6 minutos e 23 segundos de totalidade em terra firme, algo considerado extremamente raro pelos especialistas. Depois disso, um eclipse com duração semelhante só deve ocorrer novamente em 2114, enquanto outro fenômeno comparável em intensidade e extensão está previsto apenas para 2183.
O eclipse acontecerá quando a Lua passar exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente a luz solar em determinadas regiões do planeta. Embora eclipses solares ocorram com certa frequência ao redor do mundo, poucos atingem uma duração tão longa quanto a prevista para 2027.
A explicação para isso envolve uma combinação rara de fatores astronômicos. Na data do fenômeno, a Lua estará próxima do perigeu — ponto da órbita em que fica mais próxima da Terra — fazendo com que pareça maior no céu. Ao mesmo tempo, o trajeto da sombra lunar sobre o planeta favorecerá um período mais prolongado de escuridão.
Para comparação, a maioria dos eclipses solares totais costuma durar entre dois e três minutos. O eclipse observado em abril de 2024 nos Estados Unidos e México, por exemplo, teve pouco mais de quatro minutos de totalidade em seus pontos máximos.
Regiões do planeta terão escuridão total
A sombra da Lua começará seu trajeto sobre o Oceano Atlântico e seguirá em direção à Europa, Norte da África e Oriente Médio. Entre os locais que estarão dentro da faixa de totalidade estão regiões da Espanha, Portugal, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita e Iêmen.
O Egito aparece entre os pontos privilegiados para observação, com alguns dos maiores períodos de escuridão total registrados para o fenômeno. Cidades da Espanha também já começam a registrar aumento na procura por hospedagens e pacotes turísticos voltados à observação astronômica. Além dessas regiões, Groenlândia e Islândia poderão acompanhar as primeiras fases do eclipse.
Brasil verá eclipse parcial
No Brasil, o fenômeno poderá ser observado de forma parcial, principalmente na região Sul do país. Embora não haja escuridão total, parte do disco solar será encoberta pela Lua, permitindo que brasileiros acompanhem uma parcela do evento astronômico.
Especialistas reforçam que a observação do eclipse exige cuidados rigorosos. Olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode causar danos permanentes à visão.
Os astrônomos recomendam o uso exclusivo de óculos certificados para observação solar, seguindo a norma internacional ISO 12312-2. Óculos escuros comuns, filmes fotográficos, radiografias ou vidros improvisados não oferecem proteção segura.
Durante a fase de totalidade, o céu pode escurecer como se fosse início da noite. A temperatura tende a cair rapidamente e animais costumam reagir como se o dia estivesse terminando.
Entre os efeitos mais impressionantes do eclipse estão as chamadas “Pérolas de Baily”, pequenos pontos luminosos formados pela passagem da luz solar entre as irregularidades da superfície lunar, além do famoso “Anel de Diamante”, fenômeno visual observado segundos antes da totalidade completa.
Durante o ápice do eclipse, também será possível observar a corona solar — camada mais externa da atmosfera do Sol — além de estrelas e alguns planetas visíveis em pleno período da tarde.
Astrônomos consideram o eclipse de 2027 um dos acontecimentos celestes mais importantes das próximas décadas e uma oportunidade rara para milhões de pessoas presenciarem um céu completamente escuro em plena luz do dia.



















