Assembleia Legislativa do Paraná alerta para aumento de doenças renais no estado

Assembleia Legislativa do Paraná alerta para aumento de doenças renais no estado

Especialistas em nefrologia alertam que 1,2 milhão de paranaenses sofrem com problemas nos rins. Créditos: Orlando Kissner/Alep
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CURITIBA | PR – A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou, nesta semana, uma audiência pública para debater o avanço das doenças renais no estado e a urgência de políticas voltadas ao diagnóstico precoce. Por iniciativa da deputada Cristina Silvestri (PP), o encontro reuniu especialistas que acenderam um alerta: cerca de 1,2 milhão de paranaenses já apresentam algum estágio de alteração na função renal. O debate, alusivo ao Dia Mundial do Rim, focou na necessidade de transformar o sistema de saúde de reativo para proativo, visando conter uma enfermidade que é majoritariamente silenciosa.

Atualmente, o Paraná conta com 8.700 pacientes dependentes de diálise, sendo que 82% são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A preocupação dos médicos nefrologistas é com o represamento de casos; menos de 10% das pessoas descobrem o problema a tempo de evitar terapias substitutivas, como a hemodiálise ou o transplante.

Prevenção barata e impacto no PIB

Durante a audiência, médicos destacaram que exames de baixo custo, como a dosagem de creatinina e o exame de urina, são ferramentas fundamentais de rastreamento que precisam estar disponíveis em todas as unidades básicas de saúde. Segundo Paulo Fraxino, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia na Região Sul, o diagnóstico precoce até o estágio 3 da doença pode retardar a necessidade de diálise em até 15 anos.

O impacto da omissão no diagnóstico não é apenas humano, mas econômico. Estimativas apresentadas mostram que o dano ao PIB brasileiro entre 2024 e 2034 pode chegar a R$ 1,3 trilhão, devido ao absenteísmo e aposentadorias precoces de 4,6 milhões de trabalhadores.

Como agentes políticos, temos a obrigação de discutir políticas públicas, promover informação e garantir tratamento adequado. Nesses três anos, tivemos conquistas como a redução de 50% na tarifa de água das clínicas, mas a luta por financiamento e conscientização é contínua. — Cristina Silvestri, deputada estadual (PP).

Desafios do financiamento e envelhecimento populacional

A ex-secretária de saúde e deputada Marcia Huçulak (PSD) apontou o subfinanciamento histórico do setor como um dos grandes entraves. A tabela do SUS para procedimentos de diálise está defasada, sobrecarregando as 50 clínicas distribuídas em 30 municípios paranaenses. Com o envelhecimento da população e o aumento de casos de diabetes e hipertensão — principais gatilhos para a falência renal — a demanda tende a crescer exponencialmente.

O nefrologista Ricardo Akel, superintendente do Instituto do Rim do Paraná, alertou que o custo do tratamento em diálise chega a ser 70 vezes maior que o custo da prevenção.

O Paraná tem um dos melhores sistemas de terapia renal do Brasil, mas a defasagem da tabela do SUS e a necessidade de melhoria na atenção básica pelos municípios são pautas constantes. Se não mudarmos a estratégia agora, teremos um aumento de 170% na necessidade de diálise até 2032.

Caminhos para o tratamento no Paraná

O estado possui hoje 14 centros transplantadores e uma fila de 5.500 pessoas aguardando por um rim. Para as entidades presentes, como a Sociedade Paranaense de Nefrologia e a Fundação Pró-Renal, a solução passa obrigatoriamente pelo fortalecimento da atenção primária. O uso de medicamentos já fornecidos gratuitamente pelo SUS, quando prescritos no início da doença, é capaz de salvar vidas e desonerar os cofres públicos a longo prazo.


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