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Deputada federal eleita Ana Elisa denuncia ameaças de morte

Parlamentar eleita com 524 mil votos teve dados vazados e recebeu mensagens com ameaças de estupro atribuídas a grupo supremacista.

Eleita mais jovem do país, parlamentar formalizou queixa de violência. Foto: Rafael Miranda/Campanha Ana Elisa

Belo Horizonte, MG – A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, formalizou denúncia na Polícia Civil após sofrer ameaças de morte, estupro e ataques racistas durante a campanha eleitoral. A gravidade dos ataques e a exposição de dados pessoais obrigaram o partido a contratar escolta armada para garantir a integridade física da parlamentar.

Os dados vazados incluem o endereço residencial da estudante, além de número de telefone e documentos. Segundo Ana Elisa, as mensagens reuniam conteúdo racista, machista e ameaças diretas de violência sexual.

“Chegando em Minas Gerais, já terei escolta.”

Parte do conteúdo intimidador foi exposto pela própria parlamentar nas redes digitais. Em 5 de setembro, ela divulgou capturas de tela de uma mensagem em que o remetente afirmava integrar o grupo supremacista branco Ku Klux Klan. No texto, o autor declarou ódio contra mulheres negras em posições de poder e detalhou planos de agressão física e sexual.

Eleita com 524.219 votos nas eleições de 2026, a jovem obteve a segunda maior votação de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados. O resultado a transformou na mulher mais votada da história do estado para o cargo legislativo federal e na deputada mais jovem da história do Congresso Nacional.

O primeiro lugar na disputa para a Câmara no estado foi ocupado por Nikolas Ferreira (PL). O parlamentar do Partido Liberal, expoente da extrema direita no estado, enfrentou representações e pedidos de apuração no Judiciário ao longo do período eleitoral. Entre os procedimentos, constam representações na Procuradoria-Geral da República pelo uso eleitoral de crianças e adolescentes em redes sociais e processos na Justiça Eleitoral sobre a circulação de desinformação.

Nascida em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, a deputada eleita cursa direito e atuava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG). Seu contato inicial com a mobilização política aconteceu ao acompanhar a mãe a reuniões sindicais, trajetória que migrou para a internet.

Na produção de conteúdo para as redes sociais, Ana Elisa abordava temas ligados a direitos sociais, combate ao racismo, educação e gênero. Durante o processo eleitoral, a base no Instagram passou de quase 2 milhões para mais de 3 milhões de seguidores.

O caso reflete o avanço sistemático de agressões contra mulheres no pleito. No fim de setembro de 2026, organizações da sociedade civil protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento detalhando agressões físicas, intimidações verbais e ameaças de morte contra candidatas. Dados da Justiça Eleitoral apontam que os episódios de violência política de gênero cresceram 11 vezes entre 2022 e 2026, com 1,5 mil denúncias registradas na Central Ligue 180.

Canais institucionais acolhem denúncias de crimes eleitorais e de gênero, como o Ligue 180, a Ouvidoria das Mulheres do CNMP, a Procuradoria-Geral Eleitoral e a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça. A apuração de infrações cabe à Polícia Federal e às delegacias estaduais, com orientação jurídica prestada pela Defensoria Pública da União e atendimento de emergência pelo 190.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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