Violência contra jornalistas no México deixa sete mortos

Violência contra jornalistas no México deixa sete mortos

Organização Repórteres Sem Fronteiras denuncia falhas graves de proteção e aponta ineficácia da violência contra jornalistas no México ser tratada apenas com inquéritos burocráticos.

Manifestantes exigem fim da impunidade no México. Imagem: Axel Rangel
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CIDADE DO MÉXICO, México — A escalada da violência contra jornalistas no México registra marcas alarmantes neste ano, evidenciando falhas estruturais de proteção do Estado a profissionais de comunicação. Com a confirmação da morte de Francisco Alejandro Leyva Aguilar, de 60 anos, executado a tiros no estado de Oaxaca, o país atingiu o sétimo caso de assassinato de jornalistas em sete meses. A vítima vinha denunciando publicamente ameaças de morte desde o ano passado, após publicar artigos de opinião com críticas diretas à gestão do governador Salomón Jara Cruz e a integrantes do primeiro escalão do governo estadual.

A rotina de homicídios expõe a vulnerabilidade da categoria em um cenário comparado por entidades globais a zonas de guerra declaradas, a exemplo da Ucrânia. Apenas nas últimas semanas, o país registrou a morte da repórter Roxana Guzmán, encontrada sem vida após ter conseguido gravar em vídeo o momento em que homens armados cercaram sua residência em junho. A lista recente de mortes violentas inclui também Alex Serna, baleado em Guerrero, e Josué Martínez Contreras, morto em Puebla. Anteriormente, foram vitimados os jornalistas Luis Ángel López Valdez e Carlos Castro, no estado de Veracruz, além de Juan David Gámez, executado em Nuevo León.

Crise e violência contra jornalistas no México

A ineficiência do aparato estatal e o acúmulo de inquéritos sem desfecho concreto são alvo de críticas por parte de organizações multinacionais de defesa dos direitos humanos. O diretor da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a América Latina, Artur Romeu, destacou que o protocolo burocrático adotado pelas autoridades judiciais não é capaz de conter a onda de homicídios nem de resguardar os alvos de intimidações. “Abrir uma investigação após cada assassinato não tem servido para proteger vidas, não colocou fim à violência e já não pode continuar sendo a única resposta”, pontuou o representante da RSF, apontando falhas graves de instituições regionais e federais que já tinham ciência prévia das ameaças contra os repórteres.

O cenário de omissão atinge também o arcabouço de proteção instituído por vias legislativas. Criado em junho de 2012, o programa nacional de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos prevê escoltas policiais e a entrega de botões de pânico conectados ao serviço 911. Contudo, relatórios operacionais indicam falhas de execução, com relatos de comunicadores indicando que agentes destacados para a segurança presencial pertencem às mesmas forças policiais acusadas de realizar as ameaças ou de obstruir apurações. Desde o ano 2000, dados da organização Artículo 19 apontam que ao menos 180 comunicadores foram mortos em decorrência de reportagens sobre o narcotráfico ou denúncias de corrupção política.

Impunidade e violência contra jornalistas no México

A repercussão da onda de ataques ultrapassa as fronteiras e mobilizou manifestações de órgãos multilaterais. Logo após a morte do jornalista Juan David Gámez, o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, manifestou preocupação com o enfraquecimento do debate público e das garantias individuais. “A violência contra jornalistas não é apenas uma afronta à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, mas também priva a população de seu direito fundamental à informação”, ressaltou o dirigente da agência das Nações Unidas. Mesmo após o alerta internacional, outros seis profissionais da imprensa foram executados em território mexicano, reforçando a cobrança por apurações rigorosas e responsabilização dos mandantes.


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