BRASÍLIA, DF — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu negociações de bastidores com o Republicanos para discutir o apoio à eleição presidencial de 2026. A articulação, confirmada por interlocutores sob condição de anonimato nesta segunda-feira (20), inclui o compromisso de indicar um nome ligado à legenda e à Igreja Universal para uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta mira conter a debandada de legendas do Centrão e consolidar uma candidatura de direita competitiva.
O nome cotado para o STF é o do deputado federal e bispo licenciado Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional do partido. A indicação dependeria do cumprimento do rito constitucional de aprovação pelo Senado em um eventual futuro mandato. As tratativas também preveem um acordo político de longo prazo entre as siglas PL e Republicanos. O plano estabelece que Flávio Bolsonaro concorra a apenas um mandato no Planalto, o que abriria caminho para a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na eleição presidencial de 2030.
As futuras vagas na Corte motivam o início antecipado das discussões partidárias. Pelas regras vigentes, as aposentadorias compulsórias dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes estão previstas para ocorrer de forma sequencial entre os anos de 2028 e 2030. O movimento ocorre no momento em que o Republicanos tenta afastar sua estratégia eleitoral do desgaste envolvendo o Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, que foi alvo da Operação Miragem da Polícia Federal em 23 de junho por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Articulação de aliança regional
A aproximação com Flávio Bolsonaro representa uma inflexão para Marcos Pereira, que em janeiro havia rifado a pré-candidatura do senador e apontado Tarcísio de Freitas como escolha. Com Jair Bolsonaro inelegível e Tarcísio focado na reeleição em São Paulo, a cúpula do Republicanos avalia que o apoio a Flávio pode render palanques relevantes em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O partido também negocia compensações nos estados e apoios do PL a candidaturas próprias.
Apesar da tendência de apoio ao PL, o Republicanos avalia liberar diretórios estaduais, especialmente no Nordeste, onde mantém alianças com forças próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Daniella Marques Consentino, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, atua na pré-campanha e é cotada para vice na chapa de Flávio, embora enfrente resistência interna por ser recém-filiada. O senador busca o acordo para dar musculatura à candidatura, que enfrenta desgastes recentes devido a menções ao Banco Master e disputas internas no campo bolsonarista.



















