Cepeda encerra campanha com críticas à extrema-direita na Colômbia

Cepeda encerra campanha com críticas à extrema-direita na Colômbia

Candidato do Pacto Histórico mobiliza apoiadores em Bogotá e Soledad antes do segundo turno presidencial

Cepeda reuniu milhares de apoiadores. Foto: reprodução/X/Ivan Cepeda
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Bogotá, Colômbia – A campanha presidencial colombiana entrou na reta final marcada por uma disputa que vai muito além da escolha do próximo ocupante da Casa de Nariño. O segundo turno coloca frente a frente projetos políticos distintos para o futuro do país e é acompanhado com atenção em toda a América Latina, tanto pelo peso geopolítico da Colômbia quanto pelo impacto que o resultado poderá ter sobre temas como integração regional, meio ambiente, direitos sociais e relações internacionais.

Foi neste cenário que o candidato Iván Cepeda, da coalizão progressista Pacto Histórico, encerrou sua campanha eleitoral com grandes mobilizações em Bogotá e Soledad. Diante de milhares de apoiadores reunidos na Praça Santa María, na capital colombiana, Cepeda apresentou a eleição como uma escolha entre a continuidade das transformações iniciadas pelo governo de Gustavo Petro e o retorno de setores políticos ligados à direita tradicional e à extrema-direita do país.

Ao longo dos atos de encerramento, o candidato destacou medidas implementadas nos últimos anos em áreas como reforma agrária, proteção ambiental, ampliação de direitos sociais e reconhecimento de populações historicamente excluídas da vida política colombiana.

“A pátria pertence ao povo colombiano e não aos seus traidores”, afirmou Cepeda ao criticar adversários políticos e defender a continuidade de um projeto que, segundo ele, busca reduzir desigualdades históricas e ampliar a participação popular nas decisões nacionais.

A eleição acontece em um momento particularmente simbólico para a Colômbia. Durante décadas, o país foi governado por forças políticas associadas ao liberalismo econômico, ao conservadorismo e a estruturas de poder tradicionais. A chegada de Gustavo Petro à presidência representou uma ruptura histórica ao colocar pela primeira vez um campo progressista no comando do Estado colombiano.

Agora, a disputa eleitoral é vista por apoiadores e adversários como um referendo sobre esse ciclo político.

Ao lado da candidata a vice-presidente Aida Quilcué, uma das mais importantes lideranças indígenas da Colômbia, Cepeda afirmou que a eleição representa também a defesa de avanços conquistados por trabalhadores rurais, povos originários, movimentos sociais e comunidades historicamente marginalizadas.

A presença de Quilcué na chapa simboliza uma das marcas do projeto político defendido pelo Pacto Histórico: a ampliação da participação de grupos que durante décadas permaneceram afastados dos espaços de decisão do país.

Durante os atos, estudantes, sindicalistas, ambientalistas e representantes de movimentos populares reforçaram o discurso de defesa da democracia e da participação cidadã. Entre as preocupações manifestadas pelos apoiadores estão possíveis retrocessos em políticas ambientais, redução de investimentos públicos e enfraquecimento de programas sociais.

A estudante Ana María Pirilla destacou a importância da preservação dos ecossistemas colombianos, enquanto a geógrafa Lina María alertou para os riscos que mudanças de orientação política podem trazer para áreas como educação pública, saúde e proteção ambiental.

O encerramento da campanha também passou por Soledad, no departamento do Atlântico, onde Cepeda voltou a defender o fortalecimento das instituições democráticas e o diálogo político como instrumentos fundamentais para enfrentar os desafios sociais do país.

Durante seu discurso, o candidato afirmou confiar na capacidade da sociedade colombiana de decidir democraticamente os rumos da nação e criticou o uso da desinformação, das campanhas negativas e da manipulação digital no debate eleitoral.

Mais do que uma disputa doméstica, a eleição colombiana é observada por governos, movimentos sociais e analistas de toda a América Latina. A Colômbia ocupa posição estratégica no continente, faz fronteira com cinco países sul-americanos, possui parte significativa da Amazônia e desempenha papel central em debates sobre segurança regional, transição energética e integração econômica.

Por isso, o resultado das urnas será acompanhado não apenas pelos colombianos, mas por uma região que vive um período de intensas disputas políticas e redefinições de seus projetos de desenvolvimento.

O segundo turno acontece no próximo domingo (21), em uma eleição que poderá influenciar os rumos da Colômbia e repercutir em todo o cenário latino-americano.


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