Curitiba (PR) — A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou questionamentos formais à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre o reajuste tarifário da Copel e os indicadores de qualidade do serviço prestado pela companhia no Paraná. A iniciativa ocorre após o anúncio de aumento médio de 19,2% na conta de energia elétrica, índice que está entre os maiores reajustes registrados entre distribuidoras do país.
O movimento da parlamentar também ocorre em meio ao aumento das reclamações relacionadas às interrupções no fornecimento de energia e ao tempo de restabelecimento do serviço em diferentes regiões do Estado, especialmente em áreas rurais.
Segundo Ana Júlia, os dados recentes reforçam críticas feitas durante o processo de privatização da companhia.
“’Privatiza que melhora’, esse é o discurso de quem não vive a realidade do povo paranaense e só olha para planilhas de lucro. Enquanto o governo entrega o nosso patrimônio, o que vemos é o serviço piorando drasticamente”, afirmou a deputada.
A parlamentar sustenta que informações divulgadas pela própria ANEEL apontam deterioração em indicadores técnicos ligados à distribuição de energia.
“Isso é reflexo direto da precarização. Nós avisamos que a conta chegaria — e ela chegou, bem cara. Seguimos lutando contra esse modelo que só gera exclusão e tarifas abusivas, além de prejudicar o setor produtivo”, declarou.
Documento cobra explicações sobre falhas e reajuste
No documento encaminhado à agência reguladora, Ana Júlia solicita esclarecimentos detalhados sobre a atuação da Copel antes e depois da privatização, com foco em indicadores operacionais e qualidade do serviço.
Entre os questionamentos apresentados estão:
- justificativa para o reajuste médio de 19,2%;
- evolução dos indicadores DEC e FEC desde 2018;
- aumento do tempo médio de restabelecimento da energia;
- número de consumidores afetados por interrupções prolongadas;
- redução ou ampliação das equipes técnicas;
- investimentos em manutenção da rede;
- impactos nas regiões rurais;
- quantidade de pedidos de ressarcimento por danos elétricos;
- valores pagos aos consumidores;
- aplicação dos recursos arrecadados com o reajuste tarifário.
A deputada também questiona quantos consumidores ficaram sem energia por períodos superiores a 24 horas, 48 horas e até sete dias, além de cobrar informações sobre medidas de fiscalização adotadas pela ANEEL diante do aumento das reclamações registradas no Paraná.
Debate ocorreu durante audiência pública na UTFPR
Os questionamentos foram apresentados durante audiência pública realizada em 29 de abril, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). O encontro discutiu os impactos do reajuste tarifário e as mudanças percebidas no serviço após a privatização da companhia.
Segundo Ana Júlia, o debate sobre energia elétrica precisa considerar os efeitos diretos sobre a população, o setor produtivo e o cotidiano das cidades.
“Estamos falando de um serviço essencial, que impacta diretamente a vida das pessoas, a produção no campo e o funcionamento das cidades”, afirmou.
A parlamentar defende maior transparência nos dados apresentados pela concessionária e reforçou que seguirá acompanhando o tema junto aos órgãos reguladores e de fiscalização.
















