Ciudad del Este, PY – Paraguaios voltam às ruas em protesto neste domingo, 8 de novembro, às 18h, na rotatória Oasis, em Ciudad del Este. A mobilização repudia a posse do novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, e responde ao colapso do Banco Ueno e à queda de Santiago Peña, destituído e preso na última semana. A população cobra investigações sobre o escândalo financeiro e pede um novo impeachment.
A convocação em Ciudad del Este busca reunir moradores de municípios vizinhos, como Hernandarias, Presidente Franco e Minga Guazú. Além da mobilização na fronteira, protestos foram confirmados em Pedro Juan Caballero, enquanto a população em Assunção mantém as manifestações nas ruas contra o novo governo.
Os manifestantes exigem transparência sobre a destinação dos recursos públicos e cobram a responsabilização dos políticos e empresários envolvidos no colapso financeiro. A omissão das autoridades encarregadas de fiscalizar o sistema bancário também está no centro das denúncias.
Salários bloqueados e US$ 355 milhões da previdência sob risco
A crise do Banco Ueno deixou de ser uma questão restrita ao mercado financeiro para se tornar uma emergência social em 3 de novembro, quando o Banco Central decretou o processo de resolução da instituição. A decisão paralisou as operações e bloqueou imediatamente as contas de cerca de 2,9 milhões de clientes.
A medida atingiu diretamente a rotina da classe trabalhadora: operários e servidores impedidos de sacar seus salários, pequenos comerciantes sem capital para manter as portas abertas e famílias sem acesso ao dinheiro do mês. A paralisação expôs a vulnerabilidade de um país onde o Ueno havia se tornado o principal banco em número de usuários.
A indignação popular aumentou com a revelação sobre a origem dos fundos geridos pela instituição privada. O Banco Ueno concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em dinheiro do Estado, dos quais US$ 355 milhões pertenciam ao Instituto de Previdência Social (IPS).
Trata-se de recursos recolhidos mensalmente dos trabalhadores para custear aposentadorias, pensões e serviços de saúde. Enquanto a população enfrenta o bloqueio de seus depósitos, as investigações apuram a concessão de empréstimos sem as devidas garantias a empresas ligadas aos próprios controladores da instituição.
Queda de Peña e cobrança por punição aos envolvidos
A derrocada de Santiago Peña acelerou-se devido às suas relações com o Grupo Vázquez, proprietário do Banco Ueno. Embora Peña tenha declarado que vendeu suas participações no grupo em março de 2025, parlamentares oposicionistas denunciaram o favorecimento político no direcionamento de recursos estatais para o banco.
Pressionado pela crise bancária e pelos protestos nas ruas, o Senado aprovou o impeachment de Peña na sexta-feira, 6 de novembro. No mesmo dia, o Ministério Público ordenou sua prisão domiciliar em Assunção por suspeita de lesão de confiança e gestão em benefício próprio.
“Não estamos solicitando privilégios. Estamos reivindicando justiça, respeito e o cumprimento de direitos adquiridos após tantos anos de serviço às nossas comunidades.”
A saída de Peña do Palácio de López e sua prisão não cessaram as cobranças populares. Os manifestantes sustentam que a punição não pode parar no ex-presidente e exigem o enquadramento judicial dos executivos do banco e dos fiscalizadores estatais que permitiram o esvaziamento dos fundos públicos.
Mobilização contra Alliana e pressão dos aposentados
A ascensão de Pedro Alliana à Presidência, após exercer a Vice-Presidência de Peña, não acalmou as ruas. Antes mesmo de assumir o cargo, Alliana já era alvo de pedidos de impeachment apresentados pela oposição por sua suposta cumplicidade no direcionamento de verbas estatais ao Banco Ueno.
Em Ciudad del Este, os organizadores do ato afirmam que a simples troca de nomes no comando do Poder Executivo não responde às exigências da sociedade. O movimento exige apuração rigorosa sobre a atuação de Alliana no governo anterior e medidas concretas para proteger o patrimônio público.
A insatisfação com a crise bancária uniu-se a outras pautas sociais do país. A Associação Paraguaia de Aposentados e Pensionistas Municipais (ASOJPM) denunciou que milhares de idosos enfrentam atrasos constantes nos pagamentos e cobrou providências imediatas do novo governo.
A entidade exige a destituição da diretoria da Caixa de Aposentadorias Municipais — considerada inabilitada pela Justiça Eleitoral — e auditoria nas contas do órgão. O protesto na rotatória Oasis contará com a participação de artistas locais e apoiará a greve dos trabalhadores da educação, agendada para segunda-feira, 9 de novembro, no quilômetro 9.



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