Brasília, DF – Pesquisas científicas indicam que a alimentação desempenha papel relevante na prevenção do declínio cognitivo e pode diminuir o risco de doenças neurodegenerativas, entre elas a doença de Alzheimer.
O tema ganha relevância diante do envelhecimento populacional no país, onde o Alzheimer afeta mais de 1,2 milhão de brasileiros, expondo desigualdades históricas de acesso à saúde e à comida fresca. Além disso, as discussões sobre assistência médica e sobrecarga de cuidado se aprofundam à medida que pesquisas revelam maior incidência de Alzheimer em mulheres, demandando respostas concretas das políticas públicas.
Entre os modelos analisados por pesquisadores está a dieta MIND, que mescla características da dieta mediterrânea e do protocolo DASH, criado originalmente para auxiliar no controle da pressão arterial. Essa abordagem dá prioridade a itens ricos em antioxidantes, vitaminas e gorduras saudáveis.
Três grupos específicos de alimentos aparecem com destaque nas análises científicas devido aos efeitos protetores observados no funcionamento do cérebro: frutas vermelhas, peixes com alto teor de ômega-3 e vegetais de folhas verdes.
As frutas vermelhas — grupo formado por morangos, mirtilos, framboesas e amoras — concentram flavonoides e antioxidantes. Essas substâncias ajudam o organismo a combater o estresse oxidativo, mecanismo biológico associado ao desgaste celular ao longo dos anos.
Estudos associam a ingestão constante desses itens à manutenção de funções cognitivas, especialmente da memória. Os mirtilos, por exemplo, reúnem antocianinas, compostos que determinam a cor da fruta e têm ação protetora celular. O açaí também entra nessa lista por fornecer antioxidantes ao organismo.
No caso dos peixes, espécies como sardinha, salmão e truta fornecem ácidos graxos ômega-3, tipo de gordura indispensável à integridade das células nervosas. Um dos componentes centrais desse nutriente é o DHA, que integra a estrutura física das membranas dos neurônios e facilita a troca de sinais cerebrais.
Em um contexto de orçamento apertado para a maioria das famílias trabalhadoras, a sardinha desponta como a opção mais acessível para garantir esse aporte nutricional. Além do ômega-3, os peixes oferecem vitamina B12 e selênio, elementos necessários à manutenção do sistema nervoso. O modelo MIND orienta o consumo de peixe pelo menos uma vez a cada sete dias.
O terceiro grupo reúne verduras como couve, espinafre e rúcula, acessíveis e facilmente integradas ao prato diário, seja na forma crua ou refogada. Essas folhas fornecem vitamina K, folato, minerais e compostos protetores fundamentais para a atividade neurológica.
Levantamentos observacionais registram que quem mantém o consumo frequente de verduras de folhas escuras apresenta uma desaceleração no ritmo de perda cognitiva decorrente da idade.
Especialistas ressaltam, contudo, que nenhum alimento consumido de forma isolada evita o surgimento da demência. O benefício documentado pela ciência depende de um conjunto de hábitos mantidos de forma contínua ao longo de toda a vida.
O risco de manifestação de doenças neurodegenerativas envolve fatores múltiplos, como predisposição genética, idade avançada, prática de atividade física e controle de problemas cardiovasculares. O cuidado com a saúde mental, a preservação do convívio comunitário e o controle da pressão arterial complementam as ações necessárias para proteger o cérebro durante a velhice.



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