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Chiqui Tapia é alvo em processo por enriquecimento ilícito

Apuração sobre patrimônio do presidente da AFA avança com quebra de sigilo bancário de Paola Moyano e cooperação internacional na Suíça.

Contas de Claudio Tapia estão sob análise da Justiça argentina. Foto: Difusión.

Buenos Aires, Argentina – A Justiça Federal da Argentina deu um novo passo no processo por enriquecimento ilícito contra o presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio “Chiqui” Tapia. O juiz federal Ariel Lijo enviou um pedido de cooperação internacional às autoridades da Suíça para rastrear valores pagos pela FIFA ao cartola.

A decisão atende à manifestação do procurador Gerardo Pollicita, encarregado do caso. O Ministério Público apura repasses de recursos que envolvem a federação internacional, a empresa pública de tratamento de resíduos CEAMSE e o Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicato de Choferes de Camiones).

O magistrado também determinou a quebra do sigilo bancário de Paola Moyano, ex-esposa do presidente da AFA e ligada à cúpula do movimento sindical argentino. A ordem judicial inclui o levantamento de declarações fiscais, investimentos, veículos e registros de pagamentos feitos a ambos pelas entidades.

No cenário interno, os investigadores analisam 37 depósitos sucessivos em uma conta-salário mantida por Tapia entre janeiro de 2016 e janeiro de 2019. O volume total dos créditos repassados pelo Sindicato dos Caminhoneiros atinge 1.494.678,79 pesos argentinos.

Diante das suspeitas, o tribunal intimou a entidade sindical a comprovar a finalidade de cada desembolso. A determinação judicial exige a ficha funcional completa de Tapia, com a descrição formal das atividades desempenhadas, os contracheques de cada período e comprovantes de pagamentos adicionais.

Em outra frente, o tribunal solicitou cooperação internacional na Suíça para esclarecer três repasses da FIFA destinados a contas bancárias de Tapia. Os pagamentos sob suspeita somam US$ 49.585,53 em 2018, US$ 124.583,56 em 2019 e US$ 15.408,09 em 2020.

A requisição judicial cobra relatórios completos da FIFA sobre honorários, diárias corporativas e ressarcimentos de despesas de viagem pagos ao dirigente desde 2016. O tribunal quer a comprovação dos cargos institucionais ou das comissões técnicas que justificaram essas transferências em moeda estrangeira.

O caso escancara os elos entre o comando do futebol sul-americano, sindicatos de grande porte e órgãos públicos na Argentina. Ao examinar a compatibilidade entre a renda declarada e as contas do mandatário, o tribunal busca esclarecer se a influência política no esporte encobriu ganhos patrimoniais irregulares.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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