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Ciudad del Este mantém ajuda a famílias atingidas pela cheia

Prefeito teme que o rio volte à cota de 125 metros, registrada em 2014, e garante apoio até que o retorno seja seguro

Equipes de emergência trabalham na retirada de moradores das áreas atingidas pela inundação. Foto: Divulgação.

Ciudad del Este, PY – A cheia do rio Paraná obrigou cerca de 650 famílias a deixar suas casas em Ciudad del Este, no Paraguai, em pouco mais de uma semana. Diante do avanço das águas, a prefeitura mantém um esquema de assistência que inclui distribuição de alimentos, atendimento médico, fornecimento de lonas e tendas, além de apoio às evacuações e ao transporte de móveis, eletrodomésticos e outros pertences. O prefeito Pedro Acuña afirmou que o município continuará atendendo os moradores afetados até que eles possam voltar para casa em segurança.

A situação preocupa as autoridades municipais diante da possibilidade de o rio atingir novamente o nível registrado em 2014, quando chegou à cota de 125 metros. “Em 2014, a cheia chegou a 125 metros. Nossa preocupação é que volte a alcançar esse registro. Estamos em alerta”, declarou Acuña.

A prioridade da operação é proteger a vida dos moradores, garantir alimentação e oferecer abrigo enquanto persistir o risco de inundação. Segundo a prefeitura, as equipes seguem mobilizadas nos bairros atingidos para atender às necessidades das famílias e organizar as retiradas das áreas alagadas.

Cinco setores concentram as famílias afetadas

O levantamento municipal aponta cerca de 650 famílias atingidas, distribuídas por cinco áreas de Ciudad del Este. Chela Reina e o assentamento Belén concentram o maior número, com 230 famílias. Em San Rafael, são 200 famílias; em Santa Ana, 80; na região dos quilômetros 8 e 9 de Monday, outras 80; e em Remansito, 60 famílias.

A assistência alimentar inclui café da manhã e lanche da tarde, além de insumos para preparar o almoço e o jantar. A Planta Processadora de Alimentos da prefeitura produz 300 quilos de biscoitos por dia para atender à demanda. A distribuição é complementada por 11 cozinhas comunitárias, conhecidas como ollas populares, que ajudam a fornecer refeições às pessoas afetadas pela enchente.

Além da alimentação, o atendimento inclui assistência médica e materiais para proteger os moradores das condições climáticas. A prefeitura também oferece suporte logístico para retirar pessoas das áreas de risco e transportar seus bens para locais mais seguros.

Medo de perder pertences dificulta as evacuações

A retirada dos moradores enfrenta um obstáculo: algumas famílias hesitam em deixar suas casas por medo de furtos. A preocupação com a segurança dos pertences faz com que parte dos moradores resista à transferência para os abrigos disponibilizados durante a emergência.

“Eles têm medo de que roubem seus pertences”, afirmou Acuña ao explicar a situação.

Diante desse receio, o prefeito determinou o fornecimento de telhas metálicas e tendas para oferecer alternativas de proteção às pessoas que permanecem nas áreas inundadas.

A medida busca atender moradores que não querem abandonar completamente suas propriedades, embora a permanência em locais atingidos pela água mantenha a preocupação com a segurança das famílias. O município afirma que seguirá prestando apoio enquanto durar a emergência.

Órgãos públicos e equipes de resgate atuam em conjunto

O trabalho reúne diferentes instituições paraguaias e equipes de apoio. Participam da operação a Secretaria Nacional de Emergência (SEN), a 3ª Divisão de Infantaria, a Área Naval do Leste, o Corpo de Bombeiros Voluntários, a Cruz Vermelha Paraguaia e a Itaipu Binacional, além de outras repartições e organismos envolvidos no atendimento.

As equipes municipais continuam atuando nos setores afetados para prestar assistência, facilitar as evacuações e responder às necessidades que surgirem durante a cheia. A prefeitura não informou, no material divulgado, uma data para o encerramento da operação nem uma previsão para o retorno das famílias às suas casas.

A administração municipal afirma que manterá o acompanhamento dos moradores enquanto houver risco e que o retorno às residências deverá ocorrer somente quando as condições forem consideradas seguras. Até lá, a assistência alimentar, o abrigo e o apoio logístico permanecem entre as principais frentes de atendimento às centenas de famílias atingidas pela subida do rio Paraná.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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