Foz do Iguaçu, PR – O transbordamento simultâneo dos rios Paraná e Iguaçu colocou as margens urbanas de Foz do Iguaçu sob água e obrigou famílias a saírem às pressas de suas casas. A cheia decorre do acúmulo de chuvas nas bacias hidrográficas que alimentam os dois mananciais, empurrando o nível das águas para além da cota de alerta de 121,40 metros.
O ponto mais crítico para a população está na Vila Bancária, comunidade situada na margem direita do Rio Boyci, afluente represado pela subida do Rio Paraná. No local, cinco famílias viram as residências serem tomadas pela enchente. Vinte pessoas precisaram deixar seus lares e recorrer ao acolhimento temporário de parentes e amigos.
Equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) percorrem os trechos atingidos para monitorar o avanço das águas, realizar vistorias técnicas e emitir alerta aos moradores que permanecem próximos aos pontos de transbordamento.
A subida dos leitos também interrompeu atividades econômicas e atingiu espaços de lazer tradicionais. Na calha do Rio Iguaçu, o Porto de Areia e todas as suas instalações operacionais ficaram completamente submersos. Já no Rio Paraná, o Cataratas Iate Clube foi tomado pela enchente, com suas estruturas físicas invadidas pelas águas.
O quadro expõe a engrenagem social das enchentes na fronteira: a água que transborda dos grandes rios internacionais represa os pequenos córregos da malha urbana, atingindo primeiro quem vive em áreas vulneráveis e desprovidas de contenção estrutural ou moradia segura fora da planície de inundação.
Enquanto a rede hídrica depende do volume de chuvas nas cabeceiras dos estados vizinhos e de países da bacia do Prata, os técnicos municipais permanecem em campo para acompanhar a estabilização das cotas fluviais e o suporte aos desabrigados.



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