Assunção, Paraguai – Cerca de 200 trabalhadores foram resgatados em um call center em Assunção, capital do Paraguai, durante uma operação policial deflagrada após denúncias de exploração trabalhista. Entre os funcionários encontrados no local, havia um contingente expressivo de brasileiros, muitos deles em situação migratória irregular no país vizinho.
A ação das forças de segurança paraguaias teve como objetivo interromper a rotina de abusos no estabelecimento e apurar a suspeita de crimes graves, incluindo abuso trabalhista e possível tráfico internacional de pessoas. As apurações iniciais indicam que os trabalhadores eram submetidos a condições degradantes de serviço e a jornadas desproporcionais, fatores que motivaram os alertas às autoridades locais.
A presença maciça de cidadãos brasileiros no esquema acendeu o alerta sobre redes transnacionais de aliciamento de mão de obra. As vítimas costumam ser atraídas com promessas de salários atrativos e facilidades de moradia, mas, ao atravessar a fronteira, acabam retidas em rotinas de controle estrito, com documentos retidos ou dependência financeira provocada pelas próprias empresas contratantes.
A situação migratória irregular de grande parte dos brasileiros resgatados aumentava a vulnerabilidade do grupo, que enfrentava dificuldades para recorrer a órgãos de fiscalização ou retornar ao Brasil por meios próprios. O medo de represálias e a falta de regularização documental costumam ser usados pelos exploradores como ferramentas para impedir que os trabalhadores denunciem as violações.
Com o resgate concluído, a polícia do Paraguai busca identificar e responsabilizar os proprietários e operadores do call center, além de mapear se há ramificações da rede atuando em cidades fronteiriças e em capitais brasileiras. As autoridades investigam se o esquema utilizava empresas de fachada para disfarçar o tráfico de pessoas como contratação convencional de serviços de teleatendimento.
Os trabalhadores resgatados recebem assistência das autoridades consulares e de órgãos de direitos humanos, que trabalham na triagem, no suporte humanitário e no levantamento de depoimentos para instruir o inquérito policial sobre as condições de trabalho e os responsáveis pelas contratações.



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