CASCAVEL (PR) — Conquistar uma vaga na universidade pública é apenas o primeiro desafio para milhares de estudantes. Permanecer até a conclusão da graduação, especialmente para quem precisa deixar a cidade de origem ou enfrenta dificuldades financeiras, ainda depende de políticas de apoio capazes de garantir moradia, alimentação e condições adequadas de estudo. Com esse objetivo, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) autorizou, nesta quinta-feira (2), a abertura da licitação para a construção das Casas do Estudante Universitário nos campi de Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon e Toledo.
A autorização foi assinada durante solenidade realizada na Reitoria da universidade, em Cascavel. O projeto prevê a construção de unidades com 830,5 metros quadrados, compostas por 35 quartos com banheiros individuais, cozinhas e lavanderias coletivas, salas de estudo, áreas de convivência e estrutura totalmente acessível para pessoas com deficiência.
Mais do que ampliar a infraestrutura universitária, o investimento busca enfrentar um dos principais fatores de evasão no ensino superior público: a dificuldade de estudantes em permanecer na universidade por falta de condições econômicas para custear moradia e deslocamento.
Para o reitor Alexandre Webber, a autorização representa a concretização de uma reivindicação histórica da comunidade acadêmica.
“Nossa grande preocupação é que nenhum aluno abandone a universidade por falta de condições financeiras.”
Segundo o reitor, a Unioeste já possui uma Casa do Estudante em construção no campus de Cascavel. Com a abertura das licitações para Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon e Toledo, restará apenas a unidade prevista para Francisco Beltrão, que aguarda a regularização da área onde será implantada.
Foz do Iguaçu reforça papel estratégico na assistência estudantil
Entre os campi contemplados, Foz do Iguaçu reúne características que tornam a nova moradia ainda mais relevante. Localizada em uma das regiões universitárias mais dinâmicas da Tríplice Fronteira, a unidade recebe estudantes de diferentes municípios do Oeste do Paraná e de outras regiões do país, atraídos tanto pela qualidade dos cursos quanto pelo ambiente acadêmico marcado pela integração fronteiriça.
Ao mesmo tempo, a distância entre o campus e a área central da cidade aumenta os custos diários de transporte e dificulta a rotina de muitos universitários. A implantação da Casa do Estudante deverá reduzir esse impacto, permitindo que os alunos permaneçam mais tempo dedicados às atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação, fortalecendo sua participação na vida universitária.
O diretor-geral do campus, Sérgio Fabriz, afirma que a obra atende a uma reivindicação antiga da comunidade acadêmica e representa um investimento decisivo para ampliar o acesso e a permanência dos estudantes.
“É uma demanda histórica da universidade e da classe estudantil. A moradia vai facilitar o acesso dos alunos ao campus, principalmente daqueles que enfrentam maiores dificuldades financeiras e de deslocamento.”
Moradia amplia oportunidades de formação
Nos campi de Marechal Cândido Rondon e Toledo, as futuras Casas do Estudante também deverão fortalecer a permanência universitária, permitindo que alunos oriundos de outros municípios participem com maior intensidade das atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e cultura desenvolvidas pela instituição.
Além de reduzir despesas com aluguel e transporte, a proximidade entre residência e campus cria melhores condições para o desempenho acadêmico, amplia a integração entre estudantes e favorece a participação em projetos que complementam a formação profissional.
Para a Assessoria de Assistência Estudantil da Unioeste, a implantação das novas moradias representa um avanço em uma política construída ao longo de anos pela comunidade universitária e reforça o compromisso da instituição com uma educação pública mais inclusiva.
“É muito gratificante ver uma luta de anos finalmente se concretizando, fortalecendo a Assistência Estudantil e atendendo às demandas dos nossos alunos para que consigam se formar com dignidade.”
Mais do que oferecer um lugar para morar, as Casas do Estudante foram planejadas para funcionar como espaços de convivência, estudo e construção coletiva do conhecimento, contribuindo para que os universitários desenvolvam sua trajetória acadêmica em condições mais favoráveis.
A abertura da licitação representa uma nova etapa de um projeto aguardado há anos e amplia a capacidade da Unioeste de acolher estudantes que, muitas vezes, encontram na universidade pública a principal oportunidade de transformação de suas vidas.
Em uma região estratégica como o Oeste do Paraná, onde a educação superior exerce papel decisivo na formação de profissionais, na produção científica e no desenvolvimento regional, investir em permanência estudantil significa fortalecer muito mais do que a estrutura física da universidade.
Para centenas de jovens, ingressar na universidade pública é apenas o começo da caminhada. Permanecer até a formatura continua sendo um desafio para quem enfrenta dificuldades financeiras ou precisa deixar sua cidade para estudar. Ao ampliar sua política de moradia estudantil, a Unioeste investe não apenas em novos edifícios, mas na formação de profissionais, na redução das desigualdades e no futuro de uma região que depende da educação pública para impulsionar seu desenvolvimento social, científico e econômico.

















