Fiscalização resgata 35 trabalhadores em fazenda de MT

Fiscalização resgata 35 trabalhadores em fazenda de MT

Grupo recrutado em Minas Gerais vivia em alojamentos precários, sob vigilância e exposto a agrotóxicos, segundo auditores

Trabalhadores foram encontrados em condições consideradas análogas à escravidão. Foto: Reprodução
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Campo Novo do Parecis (MT) – Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 35 trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão em uma fazenda produtora de algodão na zona rural de Campo Novo do Parecis, município localizado a cerca de 400 quilômetros de Cuiabá.

Os trabalhadores haviam sido recrutados em municípios do interior de Minas Gerais para realizar o controle manual de plantas daninhas na lavoura. Segundo a fiscalização, eles viviam em condições degradantes de moradia e trabalho, enfrentavam restrições à liberdade de locomoção e estavam expostos a riscos constantes à saúde durante a jornada.

A operação identificou uma série de violações trabalhistas. Os empregados estavam alojados em contêineres de aproximadamente seis metros de comprimento por pouco mais de dois metros de largura, onde chegavam a dormir até nove pessoas. Os alojamentos ficavam em uma área cercada por grades e arame farpado, monitorada permanentemente.

De acordo com os auditores, representantes da empresa chegaram a dificultar o acesso das equipes de fiscalização ao local onde os trabalhadores atuavam, atrasando o início das inspeções.

A situação encontrada também chamou atenção pela exposição dos trabalhadores a agrotóxicos. Relatos coletados pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso indicam que aeronaves realizavam pulverizações sobre áreas próximas enquanto os empregados permaneciam trabalhando na lavoura. Houve ainda denúncias de aplicações realizadas nas proximidades dos alojamentos.

Diversos trabalhadores relataram sintomas compatíveis com intoxicação, incluindo náuseas, falta de ar, irritação e queimaduras na pele. Segundo a fiscalização, eles arrancavam plantas daninhas manualmente sem equipamentos de proteção adequados, ampliando os riscos de contaminação.

As inspeções também identificaram problemas graves de infraestrutura. Os banheiros apresentavam condições precárias de higiene e conservação, não havia instalações sanitárias na área de cultivo e os trabalhadores precisavam realizar necessidades fisiológicas no campo. As refeições eram feitas na própria lavoura, sem espaço apropriado para alimentação, e a água fornecida não contava com condições adequadas de consumo coletivo.

Próximo aos alojamentos, os auditores encontraram forte odor de matéria orgânica em decomposição e grande quantidade de insetos. O sistema de aquecimento de água também foi considerado insuficiente para atender todos os trabalhadores.

O resgate volta a expor uma realidade que persiste no campo brasileiro mesmo décadas após a abolição formal da escravidão. Casos contemporâneos costumam envolver trabalhadores recrutados em regiões marcadas por vulnerabilidade econômica, que deixam suas cidades em busca de renda e acabam submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas ou restrições de liberdade.

Ao final da operação, a Auditoria-Fiscal do Trabalho formalizou o resgate dos 35 trabalhadores e garantiu acesso às medidas previstas em lei, incluindo o pagamento das verbas trabalhistas devidas e a emissão das guias para solicitação do seguro-desemprego destinado às vítimas de trabalho análogo à escravidão.


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