Caracas (Venezuela) – Moradores correram para deixar prédios, equipes de emergência foram mobilizadas e ruas da capital venezuelana ficaram tomadas por pessoas em busca de áreas abertas após um forte terremoto atingir a região central da Venezuela na noite desta quarta-feira (24). O tremor também foi percebido em outros países da América do Sul e do Caribe, levando à emissão preventiva de um alerta de tsunami, posteriormente cancelado.
Até o fechamento desta reportagem, as autoridades venezuelanas ainda não haviam divulgado um balanço oficial de mortos, feridos ou desaparecidos. As equipes de resgate permaneciam mobilizadas para avaliar os danos e atender as áreas mais afetadas.
Segundo informações preliminares do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto ocorreu a baixa profundidade e teve sua magnitude revisada nas primeiras horas após o abalo, procedimento considerado comum em grandes eventos sísmicos. O órgão também divulgou projeções automáticas indicando a possibilidade de impactos humanos e materiais significativos, ressaltando que essas estimativas não substituem os levantamentos oficiais realizados pelas autoridades locais.
Na capital Caracas, o tremor provocou momentos de tensão. Imagens divulgadas por emissoras locais e compartilhadas nas redes sociais mostram equipes de emergência atuando sobre estruturas danificadas, enquanto moradores deixavam edifícios por receio de novos abalos.
“Assim que começou, ouvimos pessoas gritando. Todos corriam pelas escadas”, relatou a publicitária Astrid Ramírez, moradora da zona oeste da capital.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou que edifícios sofreram danos estruturais e informou que bombeiros, equipes de defesa civil e outros órgãos de emergência foram deslocados para diferentes regiões atingidas. A dimensão dos prejuízos ainda está sendo levantada.
O terremoto ocorreu durante um feriado nacional que celebra a Batalha de Carabobo, marco da independência venezuelana. Com grande parte da população em casa, milhares de pessoas precisaram deixar apartamentos e residências às pressas diante da intensidade dos tremores.
A Venezuela está localizada em uma área de intensa atividade sísmica, resultado do encontro entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. A lembrança do terremoto que atingiu Caracas em 1967, deixando centenas de mortos e milhares de feridos, voltou imediatamente à memória de muitos moradores que vivenciaram ou ouviram relatos sobre a tragédia.
Os efeitos do terremoto ultrapassaram as fronteiras venezuelanas. Moradores da Colômbia também relataram ter sentido os tremores, enquanto publicações nas redes sociais registraram edifícios balançando em Manaus, no Amazonas, e Belém, no Pará. Até o momento, não havia registro oficial de vítimas ou danos estruturais relacionados ao abalo nessas cidades.
Como medida preventiva, o Sistema de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos emitiu um aviso para áreas costeiras localizadas em um raio aproximado de 300 quilômetros do epicentro, incluindo Porto Rico, Ilhas Virgens e parte do Caribe. Após nova avaliação das condições do oceano, o alerta foi cancelado cerca de uma hora depois.
Enquanto o levantamento oficial dos impactos continua, milhares de venezuelanos permanecem em estado de atenção diante da possibilidade de novos tremores. As próximas horas serão decisivas para que as autoridades dimensionem a extensão dos danos provocados por um dos mais fortes eventos sísmicos registrados recentemente no norte da América do Sul.
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