Curitiba, PR – Produtores rurais, contadores e lideranças do campo no Paraná receberam orientações sobre as novas regras da reforma tributária durante uma série de encontros realizados em 11 cidades do estado entre junho e agosto de 2026. A mobilização, organizada pelo Sistema FAEP dentro do Seminário Cidadania Rural 2026, reuniu 914 pessoas para esclarecer o funcionamento dos novos impostos, a recuperação de créditos tributários, as obrigações previdenciárias e o uso da Nota Fiscal Eletrônica.
As mudanças atingem diretamente as contas de agricultores e pecuaristas, que precisarão avaliar a permanência ou não no regime geral de arrecadação para não perder dinheiro.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, alertou para a necessidade de adaptação imediata no campo. “O produtor rural precisa se organizar, mesmo sem todas as regras definidas. Quanto mais informação e orientação tiver hoje, menor o risco de pagar mais imposto lá na frente”, afirmou.
Simulações de custos e créditos tributários
A transição para o novo modelo vai exigir que os produtores façam contas detalhadas antes de decidir como vão declarar seus rendimentos. De acordo com o técnico do Departamento Jurídico (Dejur) do Sistema FAEP, Eleutério Czornei, a preparação prática e o suporte contábil especializado serão determinantes.
“A principal questão para o produtor rural agora é a organização. Ele precisa ter toda documentação necessária, fazer simulações, buscar o apoio do sindicato e a orientação de um contador que conheça a realidade do agro, para entender, por exemplo, se compensa ou não ser contribuinte do IBS e da CBS”, explicou Czornei.
A opção pelo pagamento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pode ser vantajosa até para quem não atingir o teto de faturamento obrigatório. Ao optar pelo regime regular, o produtor passa a ter direito a reaver créditos de tributos pagos na compra de insumos, maquinários e defensivos — benefício que a legislação atual praticamente não permite ao setor primário.
“É uma questão de fazer as contas. Às vezes, o produtor paga um pouco mais na ponta, mas recupera na cadeia e no final sai ganhando. Aí está, portanto, a importância de se promover essas formações”, completou o técnico jurídico.
Rodada estadual em 11 municípios
O circuito de palestras foi estruturado em duas etapas para atender diferentes frentes do agronegócio paranaense:
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Capacitação sindical: 332 diretores e funcionários de sindicatos rurais participaram das primeiras sessões para atuar no atendimento direto aos agricultores.
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Palestras abertas: 582 produtores, contadores, profissionais de recursos humanos e representantes de cooperativas participaram da segunda fase.
Os debates passaram por Pato Branco, Umuarama, Campo Mourão, Maringá, Ibiporã, Cambará, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Curitiba (onde ocorreu apenas o treinamento voltado a líderes sindicais).
O quadro de palestrantes reuniu o advogado tributarista Marco Antonio Berberi, o representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Renato Conchon, o auditor-chefe da Receita Estadual Lhugo Tanaka Junior, os auditores da Receita Federal Alberto Rangel e Paulo Furtado, além do contador Valdecir Mokwa, responsável pelo módulo sobre Imposto de Renda.
O seminário faz parte do Programa Cidadania Rural, gerido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Nacional) desde 1999, que busca capacitar o setor agropecuário, diminuir falhas no recolhimento de tributos e garantir a regularidade fiscal das propriedades.

















