Brasília, DF – A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quarta-feira (30), a compra de 12,0134% das ações do Grupo Sendas — dono do Assaí Atacadista — pelos empresários Ederson e Everton Muffato. Junto com Rosa Reni Muffato, os dois irmãos controlam o Grupo Muffato, rede com forte presença no varejo alimentar do país.
O Cade tratou a operação como fusão porque um rival direto do mesmo setor passa a ser o principal acionista individual do Sendas.
A análise do órgão se concentrou nas cidades onde as duas marcas disputam as vendas no dia a dia. Os técnicos avaliaram o risco de sobreposição horizontal — quando concorrentes que atuam na mesma área passam a ter laços societários — em municípios de São Paulo e do Paraná onde ambos mantêm lojas, como a capital paulista, Curitiba e Osasco.
Ao todo, o conselho analisou 46 praças locais para verificar se a operação daria força para a rede combinada ditar preços ou esmagar concorrentes menores. A conclusão técnica foi de que o negócio não anula a concorrência nesses locais, e os conselheiros afastaram os temores iniciais. Nos outros pontos do processo, o Cade considerou os riscos de prejuízo ao mercado “bastante reduzidos”.
Além dos supermercados Super Muffato e dos atacarejos Max Atacadista, o grupo paranaense mantém negócios nos setores de combustíveis, logística, imóveis e crédito. Por causa disso, o Cade também examinou se haveria integração vertical — situação em que uma companhia passa a dominar a produção e a distribuição de mercadorias vendidas nas lojas do Sendas.
A compra dos papéis foi feita por meio de fundos de investimento ligados aos irmãos Muffato. Em manifestação enviada ao Cade, eles garantiram que não vão interferir na administração do Assaí e que as duas empresas seguirão com gestão independente.
Os empresários afirmaram ainda que as regras do estatuto do Sendas impedem que acionistas com essa fatia assumam o controle da empresa. De acordo com a defesa apresentada, o negócio é apenas uma aplicação financeira, sem troca de informações concorrenciais nem peso político dos compradores na rotina do Assaí.
Apesar do aval, o Cade advertiu que vai monitorar a conduta das duas redes. Se constatar qualquer tentativa de combinar preços, dividir mercados ou burlar o modelo apresentado, a autarquia vai abrir processo formal para investigar os donos do negócio.



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