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Produtores do Paraná debatem manejo do solo contra calor extremo

Última etapa do circuito pelo Paraná detalhou alternativas contra a degradação da terra provocada pelas altas temperaturas no Norte Pioneiro.

Produtores e técnicos avaliam estrutura física da terra durante atividade prática no Norte Pioneiro. Foto: Sistema Faep.

Cambará, PR – O calor intenso no Norte Pioneiro do Paraná acelera a perda de matéria orgânica e deixa a terra vulnerável à seca e à erosão. Diante desse quadro climático que afeta diretamente o rendimento das lavouras, 73 agricultores, agrônomos e estudantes se reuniram nesta quarta-feira (30), no Sítio São Manuel e na Fazenda Santa Mônica, para debater alternativas práticas de manejo do solo. O encontro encerrou uma sequência de cinco etapas de campo organizadas pelo Sistema FAEP ao longo dos meses de agosto e setembro pelo interior paranaense.

A perda rápida da palhada protetora devido às altas temperaturas é uma das principais preocupações de quem vive da terra na região. Sem proteção vegetal na superfície, o solo superaquece, perde a retenção hídrica necessária e entra enfraquecido no ciclo da safra seguinte.

Para enfrentar a degradação, o pesquisador Cezar Francisco Araujo Junior, do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), apresentou o consórcio de milho com capim braquiária como saída viável. O capim pode ser semeado na entrelinha ou jogado a lanço na superfície. Conforme dados de um teste de campo colhido em Bela Vista do Paraíso, a prática elevou a colheita do milho de 132 para 139 sacas por hectare neste ano. A integração garante volume de palha para cobrir o chão e regula a liberação gradual de nutrientes para o plantio posterior da soja.

Além do estresse térmico, a contenção da água da chuva entrou na pauta técnica. A pesquisadora Graziela Moraes de Cesare Barbosa, também do IDR-Paraná, alertou para o controle do escorrimento superficial por meio do terraceamento bem dimensionado. A especialista explicou que os terraços contêm a força das enxurradas em temporais severos, barrando o arrasto de terra fértil, água e adubos químicos caros aplicados nas lavouras.

Entre os produtores locais, a necessidade de proteger o patrimônio produtivo pesou nas decisões imediatas. Fernando Rodrigues Ferreira, dono da Fazenda Santa Mônica, acompanhou as análises de física e química da terra voltadas ao milho e à soja. Já o agrônomo e produtor José Cenizo, anfitrião no Sítio São Manuel, afirmou que vai aplicar as mudanças de manejo imediatamente: “Eu mesmo tirei dúvidas e decidi adotar novas práticas a partir de amanhã, para reduzir custos e ter mais eficiência”.

O presidente do Sindicato Rural de Cambará, Aristeu Sakamoto, apontou que o aprofundamento das técnicas ajuda a corrigir falhas rotineiras na condução das propriedades. Segundo Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, levar a discussão técnica para dentro das propriedades prepara a agricultura local para oscilações climáticas cada vez mais severas. Antes de passar por Cambará, a caravana técnica percorreu os municípios de Toledo (05/08), Umuarama (02/09), Cruzeiro do Sul (16/09) e Irati (24/09).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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