Foz do Iguaçu, PR – A Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu quer transformar o município no principal laboratório nacional de inovação aduaneira terrestre do Brasil até 2028. A proposta prevê a troca progressiva das abordagens físicas em massa por um modelo centrado em dados antecipados, monitoramento automatizado e fiscalização seletiva por risco. O anúncio ocorreu durante a primeira reunião ordinária do Conselho Superior da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), com a presença de empresários, conselheiros e do prefeito Joaquim Silva e Luna.
O plano de gestão para o triênio 2026–2028 coincide com a reorganização logística das fronteiras locais: a entrega das novas aduanas da Ponte da Integração (Brasil–Paraguai) e da Ponte Tancredo Neves (Brasil–Argentina), a operação do novo porto seco e a reformulação da Ponte Internacional da Amizade.
O delegado titular da Alfândega de Foz, Marcelo Mossi Vendramini, e o delegado-adjunto, Fabiano Diniz, apresentaram o programa aos empresários e detalharam a mudança de rota. Hoje, a rotina aduaneira na fronteira concentra-se em abordagens presenciais ostensivas, verificações manuais e retenções que causam lentidão nas pistas. A nova diretriz pretende utilizar tecnologias de triagem antes que veículos e cargas alcancem os pontos de controle.
“Ao cumprir nossa missão, a gente estimula um ambiente de negócios capaz de produzir desenvolvimento e gerar renda no município”, afirmou Vendramini, ao defender que a agilidade para operadores regulares alavanca a economia regional.
Segundo Fabiano Diniz, o órgão deixará de focar apenas na construção de prédios para liderar a modernização dos postos terrestres no país. “A nova visão é fundamentada em conformidade, informação antecipada, inteligência, tecnologia, gestão de riscos e facilitação dos fluxos legítimos, estabelecendo um paradigma nacional para as fronteiras do futuro”, explicou.
O modelo “Aeroporto sem Avião” e os 8 eixos operacionais
A estratégia divide as ações da Alfândega em oito frentes de trabalho para os próximos três anos:
| Eixo Estratégico | Escopo e Ações Práticas |
| Consolidação das novas aduanas | Operação plena dos postos da Ponte da Integração e da nova estrutura da Ponte Tancredo Neves. |
| Fronteira inteligente e gestão de riscos | Substituição da triagem física massiva por análise prévia de dados e fiscalização seletiva. |
| Modernização da Ponte da Amizade | Com a migração de cargas pesadas para a Ponte da Integração, o posto vira um “Aeroporto sem Avião”, voltado a turistas, bagagens e cruzamento de dados. |
| Porto Seco e logística aduaneira | Operação do novo recinto aduaneiro e aprimoramento da destinação de bens apreendidos. |
| Combate ao crime organizado | Criação de um Centro Integrado de Enfrentamento para atuar em rotas alternativas e pontos de transbordo fora das aduanas. |
| Pessoas e cultura organizacional | Ações internas de valorização do quadro e consolidação de lideranças locais. |
| Governança patrimonial | Conversão de imóveis da União sem uso em polos de desenvolvimento e atendimento turístico. |
| Conhecimento e replicação | Estruturação de Laboratório Nacional de Inovação e da Universidade Corporativa de Fronteiras. |
Pressão empresarial e complexidade trinacional
Apesar do apoio institucional ao projeto tecnológico, o setor produtivo local cobra que a facilitação aduaneira não afrouxe o cerco contra a concorrência desleal. O presidente do Conselho Superior da ACIFI, João Batista de Oliveira, alertou para o peso da ilegalidade no comércio de rua: “O ilícito e a informalidade infelizmente ainda prejudicam muito a atividade formal, impactando diretamente associados e não associados à entidade”, destacou.
O prefeito Joaquim Silva e Luna defendeu a necessidade de respostas rápidas para o tamanho da demanda local. “Estamos na mais complexa tríplice fronteira, queira ou não queira, do continente. Complexa em todos os sentidos, por isso é preciso de ousadia e coragem”, declarou o prefeito.
A dimensão diária do gargalo justifica a busca por automação. Pelos dados oficiais da Alfândega de Foz do Iguaçu, o circuito fronteiriço registra anualmente:
- 126 mil pedestres e passageiros por dia cruzando as pontes internacionais;
- 50 mil veículos por dia em trânsito entre Brasil, Paraguai e Argentina;
- 215 mil caminhões de carga por ano despachados pelo porto seco;
- 2,5 milhões de viajantes por ano no Aeroporto Internacional de Foz;
- US$ 5,3 bilhões anuais movimentados na corrente de comércio exterior.



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