São Paulo, SP – O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP), levado à delegacia nesta segunda-feira (19) após disparar uma arma de fogo dentro de um bar no Itaim Bibi, construiu sua vida pública na fronteira direta entre a música cristã, o voto evangélico e a base aliada do bolsonarismo em São Paulo.
Antes de ocupar assento na Assembleia Legislativa paulista (Alesp), Aguiar era figura conhecida dos palcos. Ele iniciou a trajetória musical ainda criança, quando venceu o concurso de calouros no programa de TV de Raul Gil, aos oito anos.
Na juventude, apostou no sertanejo comercial e alcançou notoriedade com a faixa “Não dá para fazer amor sem ter você”, composta por Zezé Di Camargo.
A virada de rota ocorreu no ano 2000, ao se converter e ingressar no grupo Renascer Praise, ministério de louvor ligado à Igreja Renascer em Cristo. Em 2001, colocou no mercado seu primeiro álbum solo evangélico, “Eu Amo Te Amar”.
A projeção nos púlpitos e rádios religiosas serviu de ponte para a política em 2008. Naquele ano, elegeu-se vereador de São Paulo pelo Partido Social Cristão (PSC) com 41.506 votos.
Dois anos depois, em 2010, Aguiar alcançou a Câmara dos Deputados com 98.842 votos. Embora tenha ficado sem mandato direto em 2014, atuou em Brasília como suplente entre 2015 e 2019.
No Congresso Nacional, seu histórico parlamentar consolidou alinhamento irrestrito à agenda de corte de gastos e reformas neoliberais: votou a favor da PEC do Teto de Gastos e da reforma trabalhista aprovadas em 2017.
O parlamentar também foi peça ativa na blindagem ao governo de Michel Temer (MDB), votando para sepultar as denúncias de corrupção que poderiam abrir processo criminal contra o ex-presidente no Supremo Tribunal Federal.
Após amargar derrotas nas urnas para a Câmara Federal em 2018 e para vereador em 2020, disputou uma vaga na Alesp em 2022. Ficou como suplente e assumiu o mandato de deputado estadual apenas em 6 de janeiro de 2025. Na disputa seguinte pelo mesmo posto, não conquistou votos para se reeleger e voltou para a fila da suplência.
O deputado mantinha rotina pública ativa ao lado de lideranças da extrema direita. No domingo (18), horas antes da confusão na boate, esteve presente no ato político de apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) na capital paulista.
O episódio que levou o político para as manchetes policiais aconteceu na madrugada de segunda-feira, em uma casa noturna no Itaim Bibi, bairro nobre da zona oeste da capital.
Segundo a denúncia, Aguiar importunou mulheres no estabelecimento e entrou em atrito com um homem que exigiu que ele saísse do recinto. Durante o desentendimento, a pistola calibre 380 que o parlamentar portava foi acionada contra o piso.
O disparo passou perto de assessores do partido Podemos que estavam no estabelecimento e raspou o calçado do apresentador Fred Bruno, que não teve ferimentos e decidiu não levar o caso adiante.
Vídeos gravados após o tiro revelam o parlamentar com sinais evidentes de embriaguez, cambaleando e com dificuldade de locomoção enquanto era escoltado e algemado por policiais militares.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) registrou a ocorrência como disparo acidental no 14º DP (Pinheiros), encaminhando as investigações ao 15º DP (Itaim Bibi). Aguiar ficou calado durante a oitiva e foi liberado na sequência.
A assessoria do parlamentar soltou nota afirmando que ele teve uma reação adversa causada pelo uso de medicação controlada:
“Neste momento, o deputado está em casa e passará por consulta médica. Reitera que confia na Justiça e tem a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno.”



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