Presidente da Mocidade defende o samba como resistência cultural

Presidente da Mocidade defende o samba como resistência cultural

Durante o 4º Encontro de Ori, Rubens Paulo Santos, o Mestre Rubinho, defendeu políticas públicas para o samba, valorização da ancestralidade e maior protagonismo das escolas de samba

Mãe Edna, a mediadora Flávia Dorneles e Mestre Rubinho no Encontro de Ori. Foto: Divulgação.
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Foz do Iguaçu, PR – No último fim de semana, Foz do Iguaçu recebeu a 4ª edição do Encontro de Ori – Experiências Ancestrais e Rotas Negras da Fronteira, evento que reuniu representantes de entidades e associações ligadas à valorização da cultura afro-brasileira. Entre os participantes esteve Rubens Paulo Santos, conhecido como Mestre Rubinho, presidente da Escola de Samba Mocidade Unida do Porto Meira, que dividiu a mesa de debates com Mãe Edna de Baru, Iyalorixá do Ilê Baru, uma das instituições apoiadoras da iniciativa.

Com o tema “O samba como patrimônio, memória e resistência cultural na fronteira”, a atividade abordou a importância do samba na preservação da identidade cultural e da ancestralidade negra na região.

Durante o encontro, Mãe Edna relembrou sua infância no Rio de Janeiro, onde teve os primeiros contatos com o samba no ambiente familiar e nas comunidades. Também recordou sua chegada à fronteira e a participação na primeira escola de samba de Foz do Iguaçu, a Clara Guerreira.

“O samba sempre existiu para agradar a todos, não a pequenos grupos, como acontecia aqui na cidade.”

Mestre Rubinho destacou que o samba vai além do Carnaval e do entretenimento, sendo uma manifestação popular capaz de fortalecer vínculos comunitários e preservar as raízes culturais.

“O samba é o que conecta, o que comunica a maneira que cada comunidade tem de repassar sua necessidade, do seu espaço.”

Segundo ele, a preservação dessa tradição depende da valorização da Velha Guarda das escolas de samba.

“Temos que reverenciar nossos guardiões, são eles que repassam essa sabedoria.”

Rubinho também defendeu que temas como letramento racial façam parte dos debates promovidos pelas escolas e movimentos culturais.

“Ficamos calados por muito tempo, dentro do nosso espaço. A Escola precisa desse protagonismo, mesmo sem ser Carnaval, vamos brigar pelo nosso espaço.”

Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao samba, reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Para o presidente da Mocidade, a dificuldade de acesso aos editais limita o desenvolvimento das comunidades e das próprias escolas de samba.

“Ainda temos muito que andar e ocupar espaços, não vejo facilidade, é sempre uma luta, e luta é resistência. Muitos da comunidade não conseguem ter acesso aos editais, por diversos motivos, e sem o dinheiro, não há como ter essa interlocução entre poder público e comunidade.”

Na avaliação dele, a falta de investimentos impacta diretamente o fortalecimento da cultura popular na cidade.

“Se chegassem, teríamos mais escolas e mais espaços, por isso insistimos sempre que Carnaval não pode ser feito para turista ver. Por isso vamos falar do nosso povo, das nossas raízes, do nosso bairro. Não somos só as Cataratas, ou um destino de compras, somos mais que isso.”

O encerramento do evento contou com a apresentação da Bateria Furiosa e uma homenagem ao Mestre Rubão, falecido em julho deste ano.

Recentemente, a diretoria da Escola de Samba Mocidade Unida do Porto Meira passou por mudanças. Após aprovação unânime dos integrantes da agremiação, Rubens Paulo Santos, filho de Mestre Rubão, assumiu a presidência da escola.


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