Conselhos da fronteira cobram abertura plena da Ponte da Integração

Conselhos da fronteira cobram abertura plena da Ponte da Integração

Entidades de Brasil, Paraguai e Argentina afirmam que restrições na nova ponte limitam a mobilidade e o desenvolvimento regional

Ponte da Amizade segue concentrando grande parte do fluxo fronteiriço. Foto: Gilson Abreu/AEN (arquivo)
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Foz do Iguaçu (PR) — Inaugurada para ampliar a integração entre Brasil e Paraguai e reduzir a pressão sobre a Ponte Internacional da Amizade, a Ponte da Integração continua distante de cumprir plenamente a função para a qual foi construída. Diante da permanência de restrições operacionais e da lentidão na implantação das estruturas complementares, lideranças de desenvolvimento de quatro cidades da região trinacional decidiram intensificar a cobrança aos governos dos dois países.

O Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu (Codetri), que reúne representantes de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Puerto Iguazú, encaminhou um documento aos governos brasileiro e paraguaio reivindicando a abertura ampla e imediata da Ponte da Integração e a adoção de medidas consideradas estratégicas para melhorar a circulação de pessoas e mercadorias na fronteira.

A mobilização reflete uma preocupação recorrente da região. Mesmo concluída há quase três anos, a nova ligação internacional permanece operando de forma limitada, enquanto a Ponte da Amizade continua concentrando grande parte do fluxo fronteiriço.

Todos os dias, cerca de 93 mil pessoas e aproximadamente 43 mil veículos utilizam a Ponte da Amizade, segundo levantamento das Pontes Internacionais da Tríplice Fronteira. Para lideranças locais, a manutenção desse cenário compromete a mobilidade urbana, gera impactos econômicos e reduz a competitividade de uma das regiões mais dinâmicas do Mercosul.

O presidente do Codetri, Roni Temp, afirma que a situação exige decisões urgentes dos governos nacionais.

“A limitação do tráfego, com uma ponte concluída há cerca de três anos, compromete o desenvolvimento regional e mantém sobrecarregada a Ponte da Amizade. A fluidez do trânsito é essencial para o transporte de cargas, o turismo e a rotina dos moradores da fronteira”, destaca.

Região estratégica para o Mercosul

O documento entregue pelas entidades destaca a importância econômica da região trinacional. Formada por municípios do Brasil, Paraguai e Argentina, a área concentra atividades ligadas ao comércio internacional, turismo, logística, ensino superior e integração regional.

Estudo socioeconômico aponta que os 11 municípios localizados em um raio de 50 quilômetros da fronteira movimentam um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 82 bilhões.

A relação entre Brasil e Paraguai aparece como um dos pilares dessa dinâmica econômica. Somente em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou US$ 9,8 bilhões em operações de comércio exterior, consolidando-se como o maior centro logístico rodoviário da América do Sul.

O Paraguai respondeu por mais de três quartos dessa movimentação, evidenciando a dependência da infraestrutura fronteiriça para o funcionamento da economia regional.

Impactos além da logística

Embora o debate costume ser associado ao transporte de cargas, as entidades ressaltam que os reflexos atingem diretamente a população.

Milhares de trabalhadores, estudantes, empresários e turistas dependem diariamente das conexões internacionais para realizar atividades rotineiras. Longas filas, congestionamentos e limitações operacionais acabam impactando não apenas a economia, mas também a qualidade de vida de quem vive na fronteira.

Para os conselhos de desenvolvimento, a subutilização da Ponte da Integração representa um obstáculo ao próprio processo de integração regional defendido pelos países do Mercosul.

O documento ressalta que a prosperidade da região está diretamente relacionada à capacidade de circulação de pessoas, mercadorias, serviços e visitantes. Quando esse fluxo encontra barreiras, toda a dinâmica econômica e social da fronteira sofre consequências.

O que as entidades reivindicam

Entre os principais pedidos apresentados aos governos do Brasil e do Paraguai estão:

  • Abertura imediata da Ponte da Integração para veículos leves do trânsito fronteiriço e turístico;
  • Liberação da travessia para vans e ônibus de turismo;
  • Prioridade para caminhões de carga na nova ponte, especialmente durante o período noturno;
  • Aceleração das obras da ponte sobre o Rio Monday, em Presidente Franco;
  • Soluções de infraestrutura para garantir trafegabilidade plena e segura na Perimetral Leste, em Foz do Iguaçu.

Segundo o Codetri, essas medidas são fundamentais para que a nova estrutura passe a cumprir integralmente o papel estratégico para o qual foi planejada.

Integração que ainda espera acontecer

A construção da Ponte da Integração foi apresentada como uma das principais obras de infraestrutura da fronteira nas últimas décadas. A expectativa era criar uma alternativa capaz de ampliar a circulação internacional, fortalecer o comércio exterior, impulsionar o turismo e melhorar a mobilidade urbana da região.

Passados quase três anos da conclusão da estrutura principal, porém, lideranças locais avaliam que a integração prometida ainda não se concretizou.

Ao cobrar providências dos governos nacionais, os conselhos de desenvolvimento afirmam defender não apenas uma obra de engenharia, mas a necessidade de garantir condições para que uma região marcada historicamente pelo encontro entre povos, culturas e economias continue crescendo de forma integrada e sustentável.


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