FOZ DO IGUAÇU, PR — O grupo de universitários argentinos que cursa graduação e pós-graduação na Universidade Federal da Integração Latino-Americana se mobilizou após declarações polêmicas do presidente da Argentina. Em documento oficial, estudantes argentinos da Unila divulgam nota contra Javier Milei. O manifesto, assinado pelo Coletivo de Argentinas/os na instituição sediada no coração da Tríplice Fronteira, repudia as ofensas dirigidas ao chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante convenção partidária que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Estudantes assinam nota contra Javier Milei
Na nota, o coletivo classifica como atos de violência, injúria e calúnia as ocasiões em que Milei chamou o presidente brasileiro de “presidiário” e “ladrão”, além de se referir ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo”. Para os discentes, a postura do chefe de Estado argentino ao atuar em evento eleitoral no Brasil rompe de forma direta com a tradição diplomática entre os dois países. “Essas declarações não representam o povo argentino, nem quem cursa graduação, mestrado e doutorado na UNILA”, afirmam as lideranças do movimento, exigindo que o governo da Argentina retome o caminho do diálogo e preserve o respeito pela soberania e pelas instituições brasileiras.
O manifesto ressalta o impacto prático de atritos diplomáticos no cotidiano de quem vive e produz no território fronteiriço. Segundo o texto assinado pela coordenação geral de María Lilia Macedo, ao lado dos estudantes José Ignacio Molina, Martín Rodrigo Herrera, Micaela Ponce, Portillo Alexia, Tatiana Micaela Ferreyra, Rodrigo Emanuel Pinto, Lean Imohff, Guadalupe Anaya e Mayco Alejandro Macias, “cada ofensa a um governo vizinho acaba afetando quem estuda, trabalha, produz e exporta em ambos os países”.
Críticas aos cortes na educação argentina e defesa das Malvinas
A manifestação faz um alerta duro sobre o cenário do ensino superior no país vizinho e contrapõe o sucateamento promovido por Milei com o acolhimento oferecido no Brasil. Os universitários denunciam que a gestão de Javier Milei desfinancia diretamente a educação, a ciência e a tecnologia em solo argentino. Em sentido oposto, destacam que o governo brasileiro mantém as portas abertas às juventudes da região. O texto lembra que a universidade em Foz do Iguaçu foi proposta em 2007, criada pela Lei nº 12.189/2010 e inaugurada em agosto de 2010 por Lula, consolidando-se como uma instituição pública bilíngue que abriga 50% de alunos internacionais para promover a integração regional e a diplomacia dos povos.
Além de protestar contra os cortes orçamentários impostos por Milei nas universidades argentinas e prestar solidariedade ao presidente brasileiro como fundador da instituição pública, o documento faz uma defesa enfática da soberania territorial ao registrar a expressão “MALVINAS SON ARGENTINAS”. O coletivo, composto por discentes de províncias como Catamarca, Misiones, Jujuy, Santa Fe, La Pampa e Buenos Aires, reafirma o compromisso com a irmandade entre os povos e exige a implementação de uma diplomacia sustentada na unidade, na tolerância à diversidade e no respeito à soberania.

















